(Vampiro: A Máscara)

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(Vampiro: A Máscara)

Mensagem por Rayara em Sab Maio 14, 2011 10:54 pm

Oie Wink

Bom, vou explorar o que o fórum tem a me oferecer e usar o espaço aqui. Eu tenho muitas histórias de mesa que me marcaram então vou começar pela última em que participei e que realmente fluiu (Porque teve outros jogos, mas que não geraram tanta intensidade). Aos poucos eu vou desenvolvendo aqui, vai ficar como uma história que nem o Tio Lipe faz depois dos jogos contando o que aconteceu e vai demorar um pouquinho para eu digitar tudo, pois to entrando em contato com os antigos players para manter o jogo como era.

Nota: Para deixar bem claro que muitas informações são vagas, mas é justamente pq falta todo o contexto, por exemplo o lance da troca de corpos é necessário a informação do clã, de uma disciplina específica e seu nível (Dominação phodãooooooo)e blablabla... Não vamos nos prender aos detalhes, pq eles são vão se resolvendo com a história toda.

Prólogo

Parecia que ela havia dormido uma eternidade, mas ainda era uma criança. Seus olhos ardiam a medida que focavam em um ponto luminoso no fim do corredor. Não estava frio e nem calor, mas tudo era tão vago e silencioso, uma brecha no tempo. Ela não se lembrava de como tinha chegado ali e nem em que ponto de sua vida suas memórias tinham se perdido, mas sabia que não era a mesma e que estava sozinha. Não sentia medo, ela não queria gritar e nem se mover, queria poder ficar ali para sempre, mas ela ainda não sabia que o para sempre seria tão longo quanto um dia já imaginara.

Aquela noite foi o inicio da história dela, mas o fim de muitas outras. A garota ficou para trás, mas alguém havia ficado com ela. Este não é o início de uma história triste e nem um fim, é apenas um dia, como qualquer dia, sempre após outro. Se houvesse luz poder-se-ia ver suas mãos rosadas, seus grandes olhos castanhos, o vestido rasgada e um rastro de sangue. Ela não sentia o cheiro que os corpos exalavam, mas os predadores sim e farejavam-no com tanta ferocidade, com tanta fome que era impossível os parar.

Naquela noite em especial ele precisava, ironicamente, respirar, ver o céu, escutar o som do vento tocando as árvores tão sereno e suave, um toque que nunca sentiria novamente. Estava solitário, pois esta era a única bonificação de sua existência, ser solitário. De que adiantava ter o tempo se não tinha ninguém para compartilhá-lo, nem ele mesmo lhe era uma boa companhia. A cidade estava em festa, mas ele sabia que não duraria muito, podia senti-los se aproximar, podia senti-los correr, o chão pulsava e então os gritos, a luz e o fim. Mal sabia eles que construíam sua própria cadeira elétrica, ele se divertia ao menos, solitariamente, descansando, logo teria de trabalhar.

- Eles são um incômodo Marcus. – A voz vinha das árvores, como se o próprio vento falasse com o homem. Marcus por sua vez ignorava o nada como deve ser feito. Apertou a mão em sua bengala de prata, envolvendo o que parecia uma pequena gárgula, virou-se indo no caminho oposto, ele estava obstinado a ignorar aquela presença, que apenas um outro alguém tinha. – Não adianta fingir que eu não existo, o que passou, passou, vamos tratar disso como deve ser feito. – Uma sombra foi tomando forma, ganhando densidade, expressão e um sorriso. Marcus continuou seu caminho, alcançou a pequena estrada de pedras, uma ponte. – Marcus, sejamos sensatos, não quero fazer isso tanto quanto você. - O homem insistia, sua figura foi ganhando brilho na escuridão, uma máscara branca cobria seu rosto, sua única forma exposta eram seus olhos tão brancos quanto a neve. – Ela chegou! – Exclamou o homem da máscara.

Marcus virou-se com uma expressão preocupada, procurou no breu a terceira forma que o mascarado havia anunciado. – Ela não está aqui, mas está bem próxima. – Marcus adiantou o passo rumo a um pequeno aglomerado de casas perto de uma ponte. Tudo estava escuro, mas ele podia sentir que havia alguém lá, podia sentir aquele cheiro entrar por suas narinas e devorar seu ser, mas ele era forte para se controlar. – Ela montou uma armadilha, pegou uma criança. – O mascarado tentava acompanhar o passo de Marcus. – E o que lhe faz acreditar que me importo? – Marcus mantinha os olhos fixos em seu destino.

Um estampido veio da cidade mais próxima, provavelmente havia homens vivos ainda. Marcus continuava inexpressivo e quanto ao mascarado era evidente um ar de preocupação, mas seus olhos ainda tinham aquele vazio, como se estivessem sem vida, como se nunca tivessem tido vida. – Eu sei que você se importa, pois eu me importo. – Seguiu-se um movimento rápido e então o mascarado estava preso encurralado entre uma estaca e uma grande árvore. – Nosso laço foi rompido, não há mais nenhum vínculo entre nós. – Sua voz era áspera e melancólica, como se sentisse dor o tempo todo, se mutilando, garantido que seu corpo de alguma forma perdurasse a sentir algo. O corpo do mascarado se desfez em fumaça e reapareceu alguns centímetros adiante. – Esse corpo é realmente muito útil e não sou o único com um como esse. – Marcus guardou a estaca. Voltou ao caminho de pedras ainda sendo seguido pelo mascarado. Mantiveram um silêncio explosivo, que não dizia nada, mas significava tudo.

Ela agora via duas formas ofuscarem a luz. Um homem usava cartola, ela tinha certeza disso, e o outro era alto. Ela sentiu algo atingir sua mão, era pegajoso, mas ela não conseguia ver. Escutou passos atrás dela, sentiu seu corpo ser puxado, esbarrou em alguma coisa e então a parede. Um ‘bak’ ecoou pelo túnel. Ela agora sentia o cheiro, era doce, era desejado. Suas mãos se fecharam em alguma coisa, tinha fome, não pensava em nada. Agora ela via os corpos, não estava mais atordoada, fedia, deviam estar ali há algum tempo, mas mesmo assim ela queria, queria, queria.

- Agatha, solte a criança! – A voz do mascarado. Os dois homens permaneciam parados na entrada do túnel, embaixo da ponte, ambos com rosto de desprezo diante da cena de muitos corpos estirados, fétidos, mutilados, restos mortais de homens, mulheres e crianças. - Só sinto a presença de três, ela está se escondendo. – Marcus entrou no túnel, passando pelos corpos como se eles não fossem nada. Aproximou-se da criança que se alimentava e não dava a mínima atenção para o que estava acontecendo. – Era este seu plano minha pequena, mudar de corpo, uma criança? – Ele parecia desapontado. – Eu realmente esperava mais depois de tudo que eu lhe ensinei! – O mascarado abria espaço enojado, sentia-se ele muito nobre para tal lugar. Ouviu-se um grito e a pequena menina caiu inerte. – Agora você planeja passar por nós dois, você não tem mais um corpo reserva, achou que eu teria pena? – O mascarado parecia surpreso, cutucou o corpo da menina que se alimentava há poucos segundos e constatou que realmente não restava mais nada além da carcaça empalada.

Depois das últimas palavras de Marcus houve silêncio, depois alguns estrondos, tudo desmoronou. Na manhã seguinte cidadãos da cidade próxima encontraram uma imensa fogueira que os atraiu para aquele cenário devastado. – Marcus você sabe que ela conseguiu escapar do corpo antes de o queimarmos, certo? – O mascarado perguntava preocupado já que Marcus parecia convencido de ter acabado com Agatha. – Sim, só que isso nos dará algum tempo para achar o verdadeiro corpo dela, ela ficará perdida naquele outro lugar por um tempo. – Os dois já estavam distantes da onde tudo aconteceu, descansavam em uma hospedaria. Tempo era a única coisa que eles tinham e agora também tinham um motivo para usá-lo.
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