Background: Basset D. Lassie

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Background: Basset D. Lassie

Mensagem por Leishmaniose em Sex Maio 29, 2015 9:24 pm

Olá,

Por meados de 2010, o Tio Lipe decidiu mestrar um RPG na 4ª edição do D&D chamado de "A Maldição do Tiefling", que se passaria no seu cenário sem nome, um cenário de fantasia medieval. Na era do jogo a magia estava corrompida e aqueles que decidissem se aprofundar nas artes arcanas teriam de compactuar com o desconhecido, recebendo estigmas que o marcariam para sempre - estigmas representados pela raça Tiefling do D&D 4.0.

Pra esse jogo, eu fiz uma humana que pertencia à classe Vingador. O seu clã era alvo de uma maldição vinculada aos seres do desconhecido, os abissais, e ao deus da Morte, Malfeus. Pelos crimes cometidos pelos antepassados de seu clã, ela tinha de se tornar uma Strider, uma vingadora a serviço de Malfeus, para que após morrer sua alma encontrasse seu verdadeiro destino no pós-mundo. E como a maioria dos meus personagens naquela época, eu escrevi um conto mostrando um pouco da personagem e do plano de fundo no qual ela estava envolvida.

Era um jogo que prometia bastante. Infelizmente, por motivos que não vem ao caso, o jogo acabou sendo encerrado e tivemos de engavetar os personagens. Mas ainda, aqui e ali, quando o pessoal está pensando em começar algum jogo de fantasia medieval, se houver possibilidade do sistema emular novamente os Striders, ainda ouço o sussurro de uma vingadora nas sombras, esperando pelo seu retorno...

P.s.: Esta será a trilha sonora dela se algum dia ela vier a retornar.



Bonanças.

Atenciosamente,
Leishmaniose

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"Se o Destino for mesmo um Moinho...
Nós somos os grãos esmagados em seu mover."



"Se não posso proteger apenas estendendo a minha mão, desejo uma espada...
Um poder capaz de despedaçar o Destino deve ser como a lâmina de uma espada."


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Ou a Aventura encontra Você".
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Basset D. Lassie

Mensagem por Leishmaniose em Sex Maio 29, 2015 9:27 pm

Basset D. Lassie
 
                As nuvens cobriam todo o céu àquela noite, dificultando a visibilidade nas ruelas. Sombras bruxuleavam pelas janelas das casas devido à parca iluminação à base de lampiões e velas. Apesar dos relâmpagos que anunciavam uma tempestade, estava quente. Quente e abafado, como se toda a cidade estivesse prendendo a respiração pra se preparar para o aguaceiro que cairia. Sua cama estava molhada, a camisa colando ao corpo de tanto suor. Inquieto e angustiado devido à temperatura, ele levantou-se em direção à janela. Não acendeu uma vela, nem o lampião. Conhecia o caminho de cor, eram apenas poucos passos da sua cama até a janela. Não seria um desafio. Mesmo sem vento, esperava que a janela aberta ludibriasse sua mente trazendo algum conforto psicológico. Para sua surpresa, a janela estava levemente aberta.

                Um relâmpago cruzou as nuvens, iluminando por poucos instantes o quarto e fazendo sombras disformes e tenebrosas percorrerem o cômodo. Uma delas moveu-se o suficiente para atiçar sua imaginação paranóica. Ele havia fechado a janela. O machucado que fizera no dedo o lembrava bem de ter fechado a tranca da janela antes de ir deitar. Abrindo a janela totalmente, contemplou o exterior do cômodo, procurando por pistas que corroborassem com suas suspeitas. O jardim se estendia por alguns metros até o portão de entrada. Abaixo dele havia apenas a janela da sala de jantar no térreo e esta permanecia idêntica à sua mais fiel lembrança. Não havia marcas ao redor da janela ou nas paredes que indicassem que alguém tinha subido. Mas ele sabia que havia algo ali. Sabia não com a parte racional do cérebro, mas com o estômago que acabara de desaparecer de seus sentidos. Lá fora estava tranqüilo. Tranqüilo demais. Seus dedos roçaram a tranca da janela, procurando pensar o mais rápido possível.

                — Dizem os anciões que em áreas ancestrais, tão antigas quanto a origem do mundo... Se prestarmos bastante atenção... Podemos ouvir sussurros. — um calafrio percorreu-lhe a nuca ao ouvir uma voz sussurrando, quase inaudível, em meio à escuridão.

                — Quem... — balbuciou, tentando não demonstrar medo. Mas já era tarde, seu corpo estava paralisado de terror enquanto seu suor aumentava, dessa vez não devido ao calor. Sua voz quase falhara no balbucio. Engolindo a seco, tentou novamente. — Quem está aí?

                O silêncio predominou no quarto enquanto ele vasculhava os cantos à procura de movimentos, sons, qualquer coisa... Sua mente lidava melhor com o conhecido do que com o desconhecido. Um novo relâmpago cruzou o céu, bastante próximo à casa, iluminando todo o quarto. Era um quarto grande, espaçoso. Sua grande cama ficava rente à parede, ainda assim ocupando o centro do quarto. Havia uma mesa, de frente para a cama, onde suas anotações e livros se encontravam e um armário com as portas fechadas, do outro lado do quarto, além dos dois criados mudos ao lado da cama. O alto som do trovão o assustou, fazendo-o gritar na noite. Desesperado, mas liberto de seu torpor, correu para a mesa à procura de uma vela ou do lampião.

                — Sussurros vindos das sombras de uma ruína, do crepitar da madeira no fogo ou do passar do vento em uma pequena fresta rochosa. — a voz continuou, ele podia ouvi-la claramente, apesar de ainda continuar sussurrando. Ele parou por um segundo, mas logo retornou à sua busca. — Sussurros que contam histórias há muito tempo esquecidas... De quando o mundo era novo e os seres que viviam nele eram tolos em sua inocência e ignorância. Histórias que se perderam ao longo do tempo, mantidas apenas em tomos nas ruínas das antigas bibliotecas... E nos sussurros jogados ao vento...

                O som de vidro espatifando-se percorreu o chão. Sem querer, ele tinha derrubado o lampião, mas havia encontrado uma vela. E, com uma destreza em outros momentos não utilizada, ele a acendeu rapidamente, levantando-a para iluminar bem o local. Seu quarto estava praticamente vazio, mas a porta rangeu levemente, revelando-se estar aberta. Mas aquele sussurro que ouvira vinha de algum lugar do seu quarto, não era possível que tivesse ouvido de fora do quarto. A menos que quem ali estava antes tivesse saído pela porta, mas ele teria ouvido. Ou assim imaginava, já que os ferrolhos estavam meio gastos.

                — Sussurram que, há muito tempo atrás... — a voz estava audível, num tom de voz normal, mas vinha de fora do quarto. Quase como se a pessoa estivesse ao lado da porta. — Quando a humanidade era jovem, uma família dedicou-se a uma perigosa busca: o domínio das artes arcanas. Imersos em sua prepotência eles se consideravam acima dos abissais, considerando uma humilhação submeter-se a um pacto com uma criatura tão inferior.

                Respirando fundo e retirando uma adaga da gaveta em sua mesa, ele adiantou-se em direção à porta. A situação antes desconhecida começava a tomar moldes mais familiares... Aparentemente não era nenhum de seus pesadelos tomando vida, apenas algum ladrão se divertindo às suas custas. Ou melhor, uma ladra. A voz era rouca, mas era feminina. E essa ladra iria se arrepender dessa ousadia.

                — Quem é você? E o que quer? — perguntou, abrindo a porta do quarto. O corredor estava deserto, com as outras portas fechadas. Todas. Seu quarto ficava no final do corredor da direita do primeiro andar daquela mansão.

                — A família tinha amigos... — a voz continuou narrando sua história, agora um pouco mais distante, mas com o tom mais elevado. De fato, a história era direcionada a ele, mas ele não conseguia entender bem a razão. Sabia apenas que parecia vir do outro lado do corredor, após passar as escadas. — Amigos que compartilhavam do mesmo interesse. E foi com o auxílio desses amigos que obteve avanços significativos, embora por um caminho tortuoso e sombrio. Através de antigos rituais eles inverteram a natureza dos pactos, tornando-se os senhores a quem os abissais concediam forçosamente a sua magia. — ele caminhou em direção às escadas, verificando a porta de cada cômodo no caminho. Estavam todas fechadas. — Um processo arriscado que envolvia o aprisionamento de abissais. Abissais novos, pois os antigos e mais poderosos mostraram-se imunes ao ritual. E tal heresia durou algumas gerações, tendo sido formado uma sociedade em torno desses estudos, cujos principais líderes eram membros dessa inconseqüente família.

                A voz diminuía o tom quanto mais ele se aproximava das escadas. A pouca luminosidade da vela permitia que visse apenas a alguns metros, mas imaginava que ela estaria no corredor após a escada. Aproximando-se da escada, ele olhou para baixo. Era um hall de entrada amplo, com um tapete vermelho que conduzia a uma escada que se dividia em duas antes de chegar ao piso superior, uma voltada para a direita e a outra para a esquerda. A casa estava muito silenciosa. Fora seus passos pela madeira e a voz da desconhecida, o silêncio preenchia totalmente a casa. Seus empregados tinham ordens de permanecer em silêncio quando ele estivesse dormindo, mas a essa altura algum deles já deveria ter aparecido para verificar o que houve. Voltando sua atenção pro corredor à frente, ele avançou, com a adaga em punho enquanto segurava a vela com a mão esquerda. A voz silenciara, o que confirmaria suas suspeitas. A vela iluminava até o final do corredor, mostrando-o vazio. Com a mão direita, sem deixar cair a adaga, começou a verificar as maçanetas das portas. Ao chegar à última do corredor, viu-se surpreso. Será que ela teria se trancado dentro de um dos cômodos?

                — Mas, no final da terceira geração, tudo mudou... — a voz voltara a falar e estava no final do corredor, na direção das escadas, por onde ele viera. Teria ela esperado ele passar apenas para continuar com essa brincadeira? — Receoso com a proximidade da sua morte, pois já tinha a idade bastante avançada, o patriarca da família e líder dessa sociedade herética procurou formas de tornar-se imortal. Afogado em sua loucura, ele planejou como realizar o ritual para aprisionar a morte. Com o apoio de grande parte da sociedade, Malfeus foi invocado e o ritual foi realizado... Mas o ritual falhou. E a mansão explodiu em chamas negras, rompendo os grilhões dos abissais aprisionados. Buscando por vingança, eles se voltaram contra seus antigos mestres. Retalharam os corpos e aprisionaram as almas dos hereges. A terra queimou em sombras ardentes por toda uma noite, dizimando a mansão, as casas e os bens dos envolvidos.

                — Vamos parar de brincadeiras, tá bom, garotinha? — ele aproximou-se das escadas. — Apareça e eu deixá-la-ei partir sem nenhuma conseqüência. Nem mesmo a milícia da cidade será acionada.

                — Todos iriam morrer pela heresia cometida. — a voz agora vinha do andar de baixo. Novamente num tom mais alto, para que ele pudesse ouvi-la bem. — E percebendo isso, a pequena parte da sociedade que não participou do ritual suplicou por suas vidas a Malfeus. Imploravam em lágrimas que os perdoasse e que os salvasse dos abissais em fúria. E, para surpresa de todos, Malfeus assim o fez... Mas pela heresia cometida naquele lugar, uma maldição foi rogada no sangue e carne dos sobreviventes. Eles seriam banidos, devendo vagar pelo mundo como um povo errante, nômade, expatriado. Seriam caçados e discriminados pelos de sua raça, sendo vistos como ladrões, trapaceiros e criminosos. Não seriam aceitos pela maioria das pessoas de nenhuma raça. E, ao morrerem, suas almas não encontrariam paz. Vagariam pelo mundo até esquecerem sua identidade e desaparecerem na existência. E o abissal que encontrasse a alma vagante poderia reivindicá-la, como a de um bruxo. Aquele que estabelecesse moradia fixa teria sua proteção revogada, estando vulnerável à retaliação dos abissais.

                Ele desceu as escadas lentamente, com a vela na mão esquerda e a faca em punho, bem mais firme. Agora tinha certeza bem do que se tratava... Seu olhar de rancor e desprezo só não era maior que o desejo de apunhalar o coração da vagabunda que estava fazendo isso. Provavelmente ela achava que poderia entrar ali, assustá-lo com aqueles contos e sair ilesa. Que ele ficaria tão amedrontado que não faria nada. Mas estava enganada...

                — Eu conheço essa última parte... Aquela meretriz mencionou essa superstição antes de causar-me aquela humilhação. Você é uma deles, não é? Veio trazer algum recado dela? Algo como ela querer repetir a dose da brincadeira comigo e com meus homens? Ou ficou excitada com isso tudo e veio provar você mesma?

                Um relâmpago cruzou o ar e o silêncio dominou a casa. Ele sorriu. Para um povo orgulhoso tais palavras seriam mais ferinas que um punhal no coração. Só deveria tomar cuidado para não ter provocado demais ao ponto dela agir como um demônio irracional. Só precisava chegar até a cozinha. Caminhando pelo hall, dirigiu-se à porta que levava à sala de jantar. Atravessando-a, ele caminhou por uma ampla sala de costas, com o olhar voltado para a porta. Do hall, a voz se fez ouvir, um pouco mais fria e comedida, como se estivesse se controlando.

                — Mas havia uma forma de obterem redenção perante seus pecados. Eles deveriam servir à morte. Atuariam como seus arautos, seus vingadores, vagando pelas terras insólitas atrás daqueles que trapacearam a morte, permanecendo vivos quando deveriam estar mortos. Somente assim, ao morrer, conseguiriam encontrar a paz definitiva, sendo encaminhados ao seu destino no mundo dos mortos.

                Ele chegou à porta da cozinha. Seus guardas provavelmente estavam se divertindo com as serviçais e por isso a casa estava silenciosa. Lembrava-se de algumas situações que acordara no meio da noite e encontrara uma situação similar. Algumas punições foram suficientes para que a situação não se repetisse, embora ele soubesse que continuava se repetindo... A diferença consistia apenas que um guarda e uma serviçal ficavam de prontidão para quando ele precisasse. Como há muito ele não acordava no meio da noite, deviam ter relaxado. Podia ouvir o som da tampa da panela batendo do outro lado da porta. Agora, mais atento, ele notou quando a porta da sala de jantar moveu-se sutilmente. Ela estava ali.

                — Esse é o sussurro sobre a origem dos primeiros ciganos. Obviamente, ao longo do tempo, outros povos uniram-se aos amaldiçoados. E hoje em dia apenas uma pequena parte dos ciganos realmente descende daquele grupo que sobreviveu ao incidente com Malfeus.

                A voz voltara a sussurrar, procurando ocultar sua localização. Mas não havia muita escapatória pra ela. A bandida cigana teria um destino pior que o da outra, apenas para aprender a lição. Passaria um bom tempo sem sentar e sem falar direito. Ele abriu a porta da cozinha, entrando subitamente para chamar seus guardas. Para seu horror, todos estavam jogados no chão, castrados e com o pescoço degolado. A tampa da panela que batia era uma panela que borbulhava fortemente, com o fogo alto. Caído próximo à panela estava um dos órgãos sexuais masculinos, provavelmente de um dos guardas. O horror daquela visão o deixara tão atordoado que ele esquecera por alguns segundos do que estava fazendo ali. Um erro pelo qual se arrependeria amargamente...

                — Mas, acima de tudo, esse é o sussurro sobre os vingadores de Malfeus. — ele mal percebeu quando a lâmina de uma espada montante atravessou-lhe o ventre, enquanto uma adaga era encostada em seu pescoço. A voz da garota soou bastante audível, ainda que um sussurro. — Assassinos silenciosos de demônios, mortos-vivos e qualquer criatura amaldiçoada que ousem cruzar seu caminho, fazendo algum mal ao seu povo ou à sua divindade. Assassinos conhecidos apenas como Striders.

***
 
Lassie não sabe em qual reino nasceu. Tudo o que ela sabe é que nasceu enquanto sua caravana passava próximo a um rio em uma floresta temperada. Como toda cigana, seu reino é seu povo. Ela é a filha mais nova de Basset D. Joker e Basset D. Asay, tendo dois irmãos mais velhos: Basset D. Dustan e Basset D. Laika. Ela pertence ao clã D., um dos clãs originais dos ciganos, sendo da linhagem de Basset, filho mais novo do fundador do clã. Como descendente de um dos clãs originais, ela carrega consigo a maldição da morte em seu sangue. E por isso, como seus irmãos e seus pais, Lassie recebeu treinamento para tornar-se uma Strider desde os cinco anos de idade com seu tio-avô Basset D. Iroh. Os treinamentos eram intensos, voltados para que a garota entrasse em comunhão com sua divindade e tivesse preparação suficiente para um dia agir como uma vingadora da morte.

Paralelo ao seu treinamento como vingadora, recebeu educação formal de uma cigana clériga de Clefin, aprendendo a ler e escrever no idioma comum. Apesar de ser um pouco mais tediosa do que o seu treinamento, Lassie adorava ir para as aulas, pois lá podia brincar e conversar com crianças ciganas da sua mesma faixa etária. Foi por volta dessa época que criou laços de amizade com Dam Cassie, filha de um dos conselheiros da sua caravana, e que se tornaria em alguns anos sua melhor amiga. Apesar de ser um pouco tímida, Lassie possuía alguns amigos em sua infância, com quem brincava e se divertia. Com o passar dos anos, ela se afastou um pouco mais, tornando-se mais isolada. Os striders eram vistos com ressalvas até mesmo entre os ciganos, e, por isso, poucos têm sua identidade revelada. Temendo um ostracismo por parte dos amigos, ela preferiu isolar-se um pouco.

Mas nem sempre foi assim. Como toda criança e adolescente, Lassie desejava ter mais interação com os outros ciganos da sua idade. Desejava uma vida mais comum, em que pudesse dançar e conversar abertamente, sem tantos segredos e sair mais com seus amigos para desfrutar em conhecer as cidades e locais onde acampavam. Já tinha até aprendido a furtar e as manhas de uma cigana ladina de verdade. Alegava que tinha um talento quase nato pra isso, que não era como ser uma vingadora. Para ela, seu treinamento sempre foi meio como um fardo que não queria carregar. Mesmo que a lenda fosse verdadeira, ela achava que não havia maldição pior do que viver à sombra... Alegava que era por isso que os striders não tinham a alma vagando até deixar de existir, pois eles já não existiam. Por isso, ao morrer, já partiam logo pra etapa final. Foi a paciência de seu tio-avô e a gentileza dele que acabou fazendo com que ela não abandonasse os treinamentos. Mas foi aos 14 anos que ela mudou de idéia...

Cassie havia sido cortejada por um bom tempo por um belo nobre de uma das grandes cidades que acampavam. E esse belo nobre a pediu em casamento, mesmo sendo alvo de críticas da alta sociedade que vivia na cidade. Ele pediu que ela ficasse ali com ele e, embora apaixonada, Cassie recusou devido à tradição cigana. Ela não poderia ficar, ou correria o risco de ser atacada por demônios e outras criaturas que buscam o sangue dos ciganos desde sua origem. Tentando encontrar uma forma de permanecer junto ao seu amado, ela pediu que ele se juntasse aos ciganos. Humilhado pela recusa e agora pelo pedido de se juntar aos ciganos, cuja história já estava ao ouvido de todos, ele a rechaçou. Reunindo seus guardas em uma tocaia, ele a violentou e a espancou de forma que seu rosto ficou irreconhecível. Depois a entregou aos guardas para que “se divertissem”. Cassie foi encontrada às portas da morte na floresta da região.

Enquanto os conselheiros da caravana decidiam o que fariam, Lassie reuniu seu equipamento de vingadora e com uma máscara para ocultar sua identidade, invadiu a mansão... As serviçais foram poupadas, mas todos os guardas e os nobres foram castrados e mortos. A mansão foi incendiada e o único relato obtido foi o das serviçais que alegaram que fora trabalho de um demônio em forma de mulher. Histórias sobre o nobre estar tentando tornar-se um bruxo acabou abafando o caso, o suficiente para que a caravana cigana pudesse partir sem problemas. Desde então Lassie se dedicou de forma espartana ao seu treinamento, procurando aprimorar-se mais e mais. Para ela os striders são guardiões do seu povo, bem como caçadores de monstros e do mal. No fundo, ela acredita que, se tivesse tido um pouco mais de dedicação ao treinamento, talvez tivesse impedido que sua amiga passasse por aquela situação. Atualmente ela cumpre bem com seu papel de strider, cumprindo e realizando missões para seu povo.

Lassie é vista como uma garota séria, com um olhar levemente melancólico. Ela costuma sorrir casualmente, principalmente com os amigos, usando seu sorriso como uma máscara para impedir a exposição dos seus verdadeiros sentimentos. A única com quem ela consegue se abrir realmente é Cassie, apesar de sentir-se culpada ao ver as cicatrizes daquele evento fatídico em sua amiga. Lassie se vê como alguém que faz o que é necessário fazer, o que é preciso fazer. E que somente assim conseguirá impedir que surjam novas “Cassies”. Se pudesse, ela mudaria o mundo, retirando o preconceito e discriminação que os ciganos sofrem da sociedade humana. Se pudesse, ela cobraria menos de si, se permitiria divertir-se um pouco mais como tanto recomenda sua amiga.

Mesmo que não assuma plenamente, Lassie tem aprendido a ter apreço pela sua vida strider, passando a gostar. Ela tem como objetivo atual obter o título exemplar de “Assassina Zelosa”. E ela não vai desistir enquanto não conseguir fazê-lo. Após consegui-lo, ela vai continuar se esforçando. Dessa vez, quem sabe, futuramente, consiga obter o título épico como “espírito glorioso” ou “semideus”. Diz a lenda, a mesma sobre a origem dos ciganos, que ao obter o título épico, o strider tem uma conferência com Malfeus e a ele lhe é concedido um favor. Lassie não sabe bem o quanto da lenda é verdade e o quanto é ficção, mas certamente, se tivesse essa conferência e um favor concedido pelo deus patrono da ordem, atualmente ela tem certeza que pediria para que a maldição cigana fosse removida. Que seu povo não precisasse mais passar pelas penitências e situações que vêm passando. Secretamente tem uma rivalidade amigável com seu irmão mais velho, Dustan, que é tido como um dos talentos natos da ordem strider dos últimos anos.

Quando não está agindo como uma strider, Lassie até se comporta como uma cigana normal: usando vestidos, lendo a sorte de pessoas, dançando com castanholas e até mesmo tocando violino. Ainda assim, não deixa de usar uma segunda roupa por baixo que fique de fácil troca para cumprir com suas responsabilidades como strider. Sua roupa favorita mesmo é sua calça, uma camisa manga longa, um colete fechado de botão, cinto, botas de cano longo, um manto preso pelo símbolo de Malfeus e o seu tradicional chapéu, tendo herdado do pai a mania de sempre utilizar um chapéu. Sua montante está sempre afivelada, de fácil acesso, só tirando em situações especiais. Já a sua adaga nunca sai do seu lado, mesmo quando está de vestido. Geralmente prefere estar só e quando está em algum evento social, sempre procura manter-se em movimentação, nunca permanecendo em um lugar só por muito tempo. As únicas exceções a esse comportamento ocorrem quando está com sua família ou com Cassie. Apesar de ter surgido alguns pretendentes, ela os dispensou. Apesar do que dizem seus pais, ela acredita que não há tempo para romances quando se é uma strider. Lassie divide sua carroça com seus dois irmãos, com quem reveza os afazeres domésticos. Ela gosta de cozinhar, sempre buscando realizar novos experimentos com misturas de temperos e comidas, o que nem sempre dá muito certo, mas geralmente sai algo tido como comestível. Quando com tempo livre, toca violino.

Lassie tem os cabelos longos vermelhos, pintando-os casualmente em algumas missões, geralmente num tom preto, que é de fácil remoção. Seus olhos também são vermelhos, como os do seu pai. Seu olhar é tido como marcante, um pouco profundo, como se procurasse analisar a alma do indivíduo. Ela tem a pele branca, cerca de um metro e sessenta de altura e pesa cinqüenta e quatro quilos, bem distribuídos em seu corpo. Não é voluptuosa, tendo o corpo equilibrado nas medidas: o suficiente pra seduzir quando necessário, o suficiente pra passar despercebida quando assim o deseja.
 
Basset D. Lassie

Raça: Humano. Classe: Vingador. Característica: Censura da Perseguição. Nível: 5.
Idade: 16. Sexo: Feminino. Altura: 1,60m. Peso: 54kg. Tendência: Imparcial. Divindade: Malfeus.
Deslocamento: 6. Intuição Passiva: 16. Percepção Passiva: 23.
Iniciativa: 5. For 8 (-1), Con 12 (+1), Des 17 (+3), Int 12 (+1), Sab 19 (+4), Car 10 (+0).
50 PV. Sangrando: 25. Valor do Pulso: 12. Pulso por dia: 8.
CA: 20. Fort: 16. Refl: 18. Vont: 19.
Montante – Bônus de Ataque 10. Dano 1d12+5. Adaga – Bônus de Ataque 10. Dano 1d4+5.
Perícias: Acrobacia¹ 10, Arcanismo 3, Atletismo¹ 6, Blefe 2, Diplomacia 2, Exploração 6, Furtividade² 10, História 3, Intimidação 2, Intuição 6, Ladinagem³ 12*, Manha 2, Natureza 6, Percepção¹ 13¨, Religião¹ 8, Socorro 6, Tolerância 3.
¹ - Treinada; ² - Bônus humano; ³ - Bônus Multiclasse Ladino. * - Bônus Ferramentas. ¨ - Bônus Talento Prontidão.
Talentos: Armadura da Fé Aprimorada, Furtividade das Sombras², Proficiência com Montante¹, Prontidão, Treinamento Corpo-a-Corpo (Sabedoria).
¹ - Bônus humano; ² - Bônus Background.
Idiomas: Comum, Dracônico.
Poderes Sem Limite: Elo da Perseguição, Golpe Avassalador, Vingança Radiante¹.
¹ - Bônus Humano.
Poderes por Encontro: Fulgor Angelical (1º), Golpe Segregador (3º).
Poderes Diários: Aspecto de Poder (1º), Jura da Luz Faminta (5º).
Poderes Utilitários: Refocalizar Inimizade (2º).
Equipamentos: Traje de Tecido, Símbolo Sagrado, Kit do Aventureiro (Mochila, Saco de dormir, pederneira, isqueiro, algibeira, dois bastões solares, 15m de corda de cânhamo, um cantil, rações para 10 dias), Ferramentas de Ladrão, Adaga, Besta de mão, Espada Montante, 63 PO.

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