Admirável mundo novo

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Admirável mundo novo

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Seg Jun 01, 2015 12:40 pm

O mundo não é mais como antes. A palavra igualdade foi riscada dos dicionários. Livros idealistas foram recolhidos. Fanáticos foram silenciados. A liberdade de expressão é algo regulado. A mídia venera o sistema, e o sistema é a lei. Os escolhidos vivem em sua ilusão de poder e luxúria, enquanto que os marginalizados sustentam a base deste delírio social. O mundo pertence ao Cartel, e todos fingem gostar desta ciranda bem articulada. Enquanto houver o que consumir, todos estarão bem. E isso tudo aconteceu em nome da ordem. Tudo em nome da paz. Tudo para afugentarmos o nosso medo da incerteza do amanhã.

UMA BREVE HISTÓRIA DE COMO TUDO ACABOU
Supõe-se que o início foi uma crise econômica mundial que ocorreu durante a primeira década do século XXI. Diferente dos relatos sobre a famosa crise do século anterior, esta não foi tão devastadora, mas gerou suas consequências. Pessoas perderam suas casas e princípios de violência começaram a aflorar em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento. A crise instalou um temor no coração das pessoas, que foi intensificado pela crise energética que a sucedeu, aliada a anos de seca em resposta ao aquecimento global. Como resultado do temor crescente, a violência tornou-se uma constante mesmo entre os países mais civilizados. Então as potências mundiais tomaram a única atitude que desviaria os receios e traria uma “luz de esperança” que uniria as pessoas: Guerra Mundial. Com ela, países emergentes foram colonizados e outros se tornaram potências. Potências caíram e os miseráveis foram abandonados a própria sorte. Ela durou 3 anos, e a única bomba nuclear que se tem notícia foi acionada em algum lugar do Oriente Médio.

De fato, muitos problemas do passado foram resolvidos naqueles três anos, mas um novo se instaurou: a dívida. Para financiar uma guerra mais eficiente e menos destrutiva (jogar bombas nucleares em locais de extração de água e petróleo seria loucura), os governos precisaram de novas tecnologias. Muitas empresas fecharam com a crise e a guerra, mas outras nunca ficaram tão poderosas. E foram estas que compraram as fontes dos recursos que motivaram a guerra. Reféns de seu próprio esquema, os governos se viram dependentes das dívidas que acumularam, onde não podem dar um passo hoje sem antes receber permissão a fim de não perder sua instável posição na sociedade. Assim, os governos se tornaram uma sombra do que já foram um dia, uma fachada para manter a sociedade “controlada”. Para garantir que a unidade político-econômica recém-instaurada perdurasse por décadas, as empresas se uniram numa parceria que hoje é conhecida por teóricos da conspiração como O Cartel. Esta parceria não é “registrada em cartório”, por assim dizer, mas muitos supõem que ela seja de fato real. A competição entre seus membros é algo incentivado, mas a sua união contra idealistas é essencial para manter o status-quo estabelecido.

O NOVO “SONHO AMERICANO”
Água, luz, mídia, comida, transporte, saúde, segurança… As Corporações passaram a controlar tudo, até setores antes exclusivos do poder público, e tudo sempre deve ser perfeito para que seus clientes fiquem satisfeitos. Com a ajuda de inovações tecnológicas inesgotáveis, a novidade impulsiona o consumo desenfreado a fim de que os clientes possam manter seus status. Tudo para que as empresas possam vender ainda mais e lucrar sempre. Para que seus clientes continuem iludidos num mundo de prosperidade atemporal, enquanto se sustentam sobre os ombros de quem realmente sofre.

Ao controlarem tudo, as Corporações passaram a ditar as regras da sociedade diretamente, ampliando a cultura do consumo extremado e intensificando a segregando social. Os ricos se tornaram mais ricos, estabelecendo-se como os consumidores deste tempo, sendo os protegidos e iludidos clientes que alimentam o sistema. Já os pobres se tornaram ainda mais miseráveis e numerosos, trabalhando para as empresas como os produtores desde novo “sonho americano”, sendo a base desta pirâmide e sobrevivendo em meio à violência daqueles que nem mesmo trabalho possui. Há também aqueles que não são reconhecidos dentro do sistema, os fora-da-lei, que vivem a margem da sociedade e fazem trabalhos escusos até mesmo para as Corporações.

OS TEMPOS DE HOJE
O Cartel manda, o governo obedece. Os clientes são protegidos, e os pobres são ignorados em meio a violência e miséria. A desigualdade prevalece sob uma máscara de prosperidade. Novos milagres são cunhados todos os dias com os avanços mais impressionantes da tecnologia, mas estando ao alcance limitado daqueles que podem ter e dos que tem coragem suficiente para roubar. É tempo de sobrevivência, e não há espaço para heróis. E você está aqui, vivo. Escolha bem seu futuro, pois ele pode ser curto.
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Conceitos de Cyberpunk 20XX

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Seg Jun 01, 2015 6:03 pm

Desigualdade: o mundo de 20XX é fundamento em dois pilares centrais: desigualdade e tecnologia. A desigualdade é a base fundamental da sociedade moderna. Os consumidores estão dentro de suas redomas de vidro, aproveitando os prazeres que a máscara criada pelo Cartel propicia. Nelas, eles são bombardeados de informações que os incentivam ao consumo e a busca por grandeza, pois sem status a vida não vale a pena ser vivida. Sem dinheiro eles morrerão ou pior, acabarão caindo em desgraça e sendo expulsos de sua zona de conforto. Alguns consumidores estão tão habituados a sua posição na sociedade que seus cérebros negam a existência do mundo lá fora. “Como alguém poderia sofrer num mundo tão maravilhoso? Deixem que as máquinas cuidem de produzir para nós”. Alguns idolatram e servem como fanáticos o Cartel. Estes, com certeza, serão os promovidos.

Do outro da moeda, os produtores tem que disputar a tapas cada migalha que caem das torres dos poderosos. Quem trabalha o faz por muito tempo, e quem não tem trabalho acaba morrendo cedo, seja de fome ou no mundo do crime. Há aqueles que se destacam, sendo chefes em fábricas de autopeças. Mas o salário nunca é suficiente para alimentar a si mesmo, quanto mais a sua família. E com uma mídia controlada que sempre mostra aquilo que eles precisam pensar para continuar em seu lugar, é impossível ter o delírio de sonhar em um dia alcançar um lugar melhor. A violência é outro fator de constante convívio. Quando não é um adolescente das gangues de órfãos matando pelo prazer de roupar uma sacola de comida, são os policiais “exercendo a lei” e cobrando pela segurança ausente dos subúrbios lotados. Drogas se espalham como pragas para aplacar o desespero dos que já se entregaram, e corpos são saqueados para propósitos obscuros. Como alguém poderia criar um filho num lugar assim e esperar o melhor? Na cidade baixa, a vida é descartável.

Tecnologia: na contra mão do descaso está a tecnologia. Maravilhosa! Única! Renovada a cada seis meses! Novidade é a palavra chave para definir a tecnologia de 20XX. E mais: ela é acessível. Enquanto os consumidores compram o que há de mais caro em termos de neurofone a fim de esbanjar, os produtores se contentam em ter um modelo padrão e acesso pré-pago quase tão eficiente quanto os dos ricos. Por ela ser tão abundante e reciclável, as Corporações as vendem aos mais pobres como uma forma de alento para se sentirem mais próximos dos poderosos. Robôs com inteligência virtual veem servindo os humanos há quase duas décadas, seja em trabalhos braçais e domésticos até como força policial. Próteses biônicas são instaladas naqueles que se feriram ou estão morrendo, enquanto que implantes que ampliam as capacidades humanas são instalados em soldados para garantir a lei, ou em mercenários que os usam em seus trabalhos suspeitos. Abundante e avançada, a tecnologia é o dinheiro do futuro, sendo muitas vezes tratada como escambo ou até carniça para alguns menos afortunados.

Atitude: não, você não precisa ser um rebelde só por não apoiar as Corporações. E é evidente que você não precisa ser um herói por causa disso. Não é isso que o mundo de 20XX espera da sua personagem. Não é isso que ele espera de qualquer um! Num mundo superpopuloso onde os poucos que têm demais e querem ainda mais, e os milhares que não tem nada mal resistem, sobreviver já pode ser um desafio e tanto. Viver num lugar deste está além de qualquer esperança, e todos tem consciência disso. Não há mais heróis. Entretanto, isso não significa dizer que sua personagem precisa ser egoísta. Ela pode ter uma boa índole, mas sabe que não pode esperar o mesmo de ninguém. O mundo está muito além do preto e branco clássico de muitos jogos, parecendo mais um lindo arco-íris de tons de cinza. Entretanto, aquilo que se espera da sua personagem é que ela esteja sempre em movimento. O conflito é a essência do cyberpunk, seja consigo mesmo ou com algum canalha a quem se deve dinheiro. O mundo de 20XX é cheio de conflito por si só. A violência está tão banalizada que não é incomum cruzar com um tiroteio. E é neste meio que a personagem deve se inserir, respirando sangue e mexendo nas engrenagens que movem o sistema.

Estilo: ter estilo é essencial. Os ricos buscam em tecnologias únicas e na estilização de seus corpos a diferenciação que os tornarão únicos na sua roda social. No submundo, gangues usam penteados estranhos, tintas fluorescentes e gírias indecifráveis para compor o seu estilo. Criminosos respeitados possuem seu próprio modo de agir, sendo lembrados por suas marcantes escolhas. Até mesmo policiais tem seu estilo, marcando no camburão quantos delinquentes já prendeu ou matou em sua carreira. Numa cidade superpovoada, ser igual é ser apenas mais um na multidão, e esse tipo de pensamento não casa bem para quem a sua personagem quer ser. Ela quer ser única, se diferenciar. E ela precisa se diferenciar, pois isso pode representar aquele dinheiro no final do mês. Fazer sua fama e ter seu nome na língua de quem interessa é essencial para isso. Só assim ela será conhecida, temida e respeitada. Mais cuidado, fama demais pode ser prejudicial para saúde. Foque mais no seu estilo que de fato na fama, e jamais seja esquecido
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