A Sociedade Celta

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A Sociedade Celta

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Dom Jun 07, 2015 10:30 pm

Olá pessoas!
Estamos começando nosso jogo de inverno de Celtas - A Busca, ou Celtic's Legends como nosso amigo moderador gosta de chamar. Pois bem, para ajudar na parte de ambientação do jogo, segue um texto super bacana da moça Andréa Guimarães sobre a sociedade a qual as personagens dos jogadores estão inseridas. Guerras entre tribos, respeito as mulheres, costumes e roupas bem características, além de uma ligação profunda com a natureza são informações tratadas neste texto que serve a todos, mesmo os apenas curiosos da cultura.

Até and Bye...

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A Sociedade Celta
Fonte: Druidismo.com.br

Graças à Júlio César e à moderna arqueologia temos uma idéia do que foi a antiga sociedade celta, seu vestuário e comportamento, como também a estrutura das tribos.

Júlio César nos relata que os celtas estavam divididos em tribos aristocráticas que mantinham lutas constantes entre si, e esse foi o fator que mais facilitou as invasões romanas. Os romanos muitas vezes encorajavam essas disputas e rivalidades, para assim terem facilitadas as suas invasões em terras celtas.

A sociedade celta estava dividida em três (cabe aqui dizer que o número três é uma constante na cultura celta, tema a ser abordado adiante): a nobreza guerreira, os sacerdotes druidas e os homens livres (aqueles que produzem todo tipo de bens para a sociedade, agricultores, ferreiros, artesãos em geral). Era governada por reis guerreiros, por rainhas ou por aristocratas. Esses líderes não eram déspotas, conceito que não cabia na cultura celta, um povo que não se deixava dominar facilmente. O rei era eleito entre o ramo da família de seu predecessor, não necessariamente um dos filhos. Era comum uma mulher se tornar rainha caso seu marido viesse a morrer ou se tornasse inapto para o cargo. Havia, à margem dessa sociedade, a população não livre, no sentido de não terem posição social nem propriedades: eram as populações subjugadas em guerras, que trabalhavam como servos.

Como principais meios de subsistência, os celtas cultivavam o trigo e criavam gado. A posse de bois era uma forma de se determinar a riqueza de cada um. Os celtas criaram o padrão xadrez para as vestimentas e o barril para transportar bebidas. Usavam calças, túnicas, mantos ou capas de lã, e estavam sempre ricamente adornados por torques de ouro, cintos ou faixas decorativas, broches e variados ornamentos corporais. As túnicas e capas tinham decoração bordada. As túnicas eram normalmente feitas de linho e caíam até os joelhos para os homens e até os tornozelos para as mulheres. As capas eram feitas de lã e seu comprimento ostentava a riqueza ou posição social. Usavam nos pés sandálias e sapatos de couro. A aparência de seus trajes era muito colorida, principalmente púrpura, carmesim e verde.

Os celtas viviam em uma oppidum (plural, oppida). Assim eram chamadas as comunidades, tribos e aldeias que eram cercadas por paliçadas e fossos para defesa. Viviam em casas circulares com paredes de madeiras e telhados de olmo, e as construções estavam organizadas conforme sua função: haviam áreas exclusivamente residenciais, outras apenas comerciais e ainda aquelas onde ficavam os prédios religiosos. Havia os sofisticados silos para armazenar grãos, além de rede de água e esgoto. Em terras celtas continentais (Gália e Península Ibérica) eram também comuns as casas retangulares feitas de pedra em vez de madeira.

Relatos romanos e achados arqueológicos (como corpos celtas preservados) nos informam como eles se vestiam para a guerra: pintavam-se de anil, para pareceram mais aterradores, usavam o cabelo comprido e raspavam os corpos, que eram também tatuados com desenhos abstratos e figuras de animais, muito provavelmente com o animal totem da tribo. Clareavam o cabelo com água de cal e os eriçavam para o alto, ou ainda o prendiam puxado para trás. Os celtas provavelmente aterrorizavam seus inimigos não apenas com essas táticas ou com sua notória coragem para guerrear, mas também por serem altos e musculosos, em sua maioria loiros e ruivos.

A sociedade celta não era matriarcal, mas em muitos casos, era matrilinear, com os filhos sendo nomeados a partir da mãe. A mulher celta gozava de uma posição de igualdade social praticamente única para aqueles tempos (infelizmente, para os nossos também...) e não são raras as figuras históricas que nos confirmam isso: a já mencionada Boudicca, a rainha dos Iceni, que liderou uma rebelião contra os romanos é a mais famosa. Boudicca, após ser açoitada e ter suas duas filhas estupradas pelos soldados romanos,  mobilizou um enorme número de tribos celtas (seu exército dispunha de aproximadamente 100 mil homens e mulheres) para combaterem juntas o inimigo comum e conseguiu uma vitória esmagadora contra as legiões de Roma, até que reforços chegaram do norte e sua rebelião foi esmagada. Para não ser capturada, ela se suicidou.

Um conhecido privilégio das mulheres celtas era o de poder anular o casamento caso seu marido não mais a estivesse satisfazendo sexualmente. Podemos identificar também os privilégios das mulheres celtas ao examinarmos os mitos desse povo, onde não faltam deusas guerreiras e poderosas, deusas independentes e até dominantes. Todas senhoras de si mesmas.

Ao falar da sociedade celta é interessante mencionar a Primavera Sagrada, chamada de Ver Sacrum pelo historiador romano Tito Lívio: para que os recursos naturais de suas terras não se esgotassem quando o número de habitantes atingia um patamar muito elevado, eles tinham o consciente costume de dividir a tribo em duas, uma parte ficando no local e a outra parte migrando para outras terras. Historiadores da época descrevem que essa migração era orientada pelo animal totêmico da tribo em questão. Essas migrações são uma característica do já mencionado período La Tene, que foi a época de maior expansão celta na europa e também o auge dessa cultura.

Percebemos aí o quanto os celtas prezavam o lugar onde viviam. Cada detalhe da paisagem possuía um espírito, muitas vezes identificado com uma deidade. Não havia o deus do rio, mas sim o deus-rio, a deusa-montanha, etc. Esses espíritos/deuses obviamente deveriam ser sempre honrados e respeitados. Poluir um rio, portanto, seria um sacrilégio. Existem evidências arqueológicas de que os celtas praticavam reflorestamento, mostrando uma percepção aguçada da dependência do ser humano à Natureza, percepção essa que nos falta hoje em dia.

Andréa Guimarães

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