Lugar Nenhum - Cenário

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Lugar Nenhum - Cenário

Mensagem por Leishmaniose em Qui Jul 02, 2015 2:31 am

Cenário

"— Meu jovem, você precisa entender uma coisa. Existem duas Londres: a Londres-de-Cima, onde você morava, e a Londres-de-Baixo, o Submundo, habitada pelas pessoas que caíram pelas fissuras do mundo. Agora você é uma delas. Tenha uma boa noite.”
(Neil Gaiman, “Lugar Nenhum”)


Olá,

O mundo de Lugar Nenhum é um mundo idêntico ao nosso, compartilha da mesma cultura, geografia e história. A maioria das pessoas que o habita vive da mesma maneira que as pessoas do nosso mundo: consome a mesma comida, veste as mesmas roupas e desperdiça seu tempo com as mesmas besteiras na internet e na televisão. Contudo, no mundo fantástico de Lugar Nenhum, as coisas são bem mais intensas e vívidas devido à existência da magia.

Histórias e lendas são mais que contos da carochinha, elas são reais, mesmo que a maioria das pessoas não saiba disso. O Mundo Acima é idêntico ao nosso mundo e conhece o mesmo que conhecemos, enquanto que escondido entre suas brechas há um verdadeiro mundo secreto, o Mundo Abaixo, habitado por criaturas mágicas e pessoas que conseguem utilizar a magia, os feiticeiros.

O mundo de Lugar Nenhum é um mundo de feitiçaria contemporânea. Os feiticeiros vivem no presente, em meio ao urbano Mundo Acima, logo ali na esquina. Comunidades do Mundo Abaixo possuem elementos culturais que remetem a épocas passadas da humanidade, como a Era vitoriana ou a Idade Média, mas os feiticeiros ainda viajam, seja por avião ou vassoura, utilizam aparelhos portáteis de comunicação, seja um celular ou um espelhinho mágico, e utilizam redes de informação, seja a internet ou a wired, sem tanta diferença no fim em relação à maioria das pessoas comuns.

O Mundo Abaixo, portanto, é um reflexo mais vívido e intenso do Mundo Acima, em suas mais diferentes tendências. Um mundo ignorado por boa parte da humanidade, onde feiticeiros vivem no fim da rua e, às vezes, fazem compras nas mesmas lojas, mas as pessoas ignoram que eles pertençam a um mundo secreto. Mesmo que a existência do Mundo Abaixo fosse conhecida, a maioria das pessoas não acreditaria, e aquelas que o fizessem veriam isso como motivo de alarme e medo, e não de espanto e admiração. A magia existe, mas a maioria das pessoas se recusa a acreditar.

Tema

O tema é a base do assunto tratado pela história, ele ajuda aos participantes a não se perderem no meio de ideias e na sucessão de incidentes, atuando como um norteador permitindo que os envolvidos consigam reencontrar um terreno firme quando tudo parecer fora de rumo. Cada história contada terá um tema específico, mas o próprio Lugar Nenhum tem um tema embutido nele – é possível deixá-lo em segundo plano, mas ele não deixará de estar presente.

O tema mais comum nas histórias de Lugar Nenhum é o de busca. Uma busca que pode ser sobre si mesmo, sobre o mundo, sobre seu lugar no mundo ou até mesmo por um lar, um lugar que possa realmente sentir-se em um lar. Até mesmo ações relacionadas a intrigas e ambições possuem suas raízes em uma busca pessoal do feiticeiro. Não é uma jornada simples e as histórias se desdobram em volta de desafios nessa estrada. Qual é o desejo de seu coração? Qual é o preço que você terá que pagar para alcançá-lo? Em quem você pode confiar para isso?

O segundo tema mais comum é o dos mistérios. A verdadeira natureza do Mundo Abaixo é um enigma que está sempre além do alcance. Alguns grupos podem ter crenças sobre o assunto, mas nenhum deles é capaz de prová-las corretas. No final, prevalece o Mistério. Um mistério cósmico que é um grande fascínio para as mentes aguçadas, que tentam desvendá-lo, mesmo que a resolução de um aspecto só faça levantar milhares de novas perguntas sem respostas. Como uma atmosfera sinistra e secreta que atrai aqueles que sabem de sua existência.

Tom

O tom trata-se da atmosfera da história, formado pelas imagens-chaves, símbolos e até mesmo as tensões das histórias contadas, contextualizando-a com o tema adotado. O tom faz com que o tema impregnasse toda e qualquer parte do mundo na história. Nem mesmo o céu, o vento e as sombras parecem escapar ao simbolismo do tema da história. Assim como no tema, cada história terá seu tom específico, mas o Lugar Nenhum possui um tom embutido nele, que pode até ser deixado em segundo plano, mas sempre estará lá.

O tom das histórias de Lugar Nenhum pode mudar várias vezes, refletindo a natureza caprichosa da magia. Entretanto, sempre predominará um tom agridoce. Os feiticeiros andam através de um mundo oculto de maravilhas, tingido com perigo e segredos. A beleza da magia é muitas vezes sinistra. A magia é sedutora e oferece tanto auxílio quanto perigo, ela é maravilhosa, mas tem seus preços e mistérios. E mesmo assim, com todas as adversidades, os feiticeiros ainda sentem a glória da emoção intensa e vivem as vívidas cores da magia.

Tanto o amargor quanto a doçura são essenciais para esse mundo. Sem o amargor, os feiticeiros são tão sem graça e aguados quanto as fábulas criadas para manter as crianças na ilusão de um mundo perfeito. Sem doçura, o mundo é um lugar atrofiado e sem valor, mais próximo da visão rabugenta de um niilista. Para todo o horror também há a maravilha. Para toda beleza também há a loucura...



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História do Mundo Abaixo

Mensagem por Leishmaniose em Qui Jul 02, 2015 2:32 am

História do Mundo Abaixo


Origem

Contam os escritos de Alexandria que os primeiros feiticeiros teriam surgido em tempos remotos da humanidade. Capazes de controlar a realidade com seus poderes mágicos, eles tinham como principal função serem os guardiões da realidade, responsáveis pela manutenção da harmonia do mundo. A magia não seria um fim por si só, mas um meio. O objetivo seria a manutenção da harmonia. A harmonia é a responsável pela existência do mundo, se ela for comprometida, o mundo passaria por desastres e conflitos que levariam ao seu fim, como tantos outros que vieram antes dele e que virão depois dele.

Os escritos de Alexandria relatam ainda que a queda de Atlântida teria sido fruto do esquecimento de tal missão, um esquecimento que quase levou o mundo à destruição. O mundo teria recuperado sua harmonia um pouco após o fim de Atlântida, mas ele não seria mais o mesmo: os continentes estavam alterados, a fauna e a flora sofreram alterações, a morte natural adentrou o mundo, o tempo passou a cobrar seu preço, emoções sombrias passaram a habitar o coração da humanidade e a quantidade de lugares mágicos diminuiu, bem como a de seus usuários.

Nessa época, com os acontecimentos de Atlântida ainda vivos em suas memórias, foram fundadas as primeiras ordens. Elas teriam como papel influenciar as novas civilizações humanas que se erguiam no Mundo Acima, procurando evitar que o desastre de Atlântida se repetisse. Juntamente com as ordens, surgiram as linhagens aristocráticas que passaram a reger o Mundo Abaixo. Leis foram criadas e um sistema de governo passou a policiar a sociedade dos feiticeiros, punindo aqueles que forem acusados de infringir tais leis, principalmente a da discrição, e por danificar a harmonia do mundo com práticas egoístas.

Leis do Mundo Abaixo escreveu:
Lei da Vida: Nunca retirar a vida de pessoas do mundo abaixo ou do mundo acima, principalmente usando magia. Seres mágicos reconhecidos como pessoas do mundo abaixo também não podem ter suas vidas retiradas.

Lei da Harmonia: Nunca fazer mau uso da magia. Não se utiliza a magia para ações simples, que possam ser realizadas sem magia, para ações que tenham resultados negativos, com efeitos claramente invasivos ou prejudiciais a outrem, ou ações que ponham em risco a realidade, como alteração do passado ou de leis cósmicas do universo.

Lei da Discrição: Nunca revelar a existência do Mundo Abaixo e da magia para pessoas comuns do Mundo Acima. É terminantemente proibido realizar magias perante pessoas comuns ou falar sobre o mundo abaixo para ela, seja indiretamente, como através de folhetos ou vídeos, seja diretamente, relatando para uma pessoa comum as características do mundo abaixo ou da magia.

Lei do Domínio: Nunca faltar com o respeito em domínios. Deve-se sempre seguir os protocolos dos anfitriões em seus domínios. Ao chegar em uma nova cidade ou lugar que tenha uma comunidade abaixo, apresentar-se ao líder do local, bem como declarar suas intenções e tempo de estadia. O anfitrião por sua vez tem de tratar aos visitantes que seguirem o protocolo como hóspedes, dedicando-lhe zelo enquanto estiver no seu domínio.

Lei da Palavra: Nunca faltar com sua palavra. Sua palavra é sua obrigação. Acordos cuja palavra foi dada e selada com magia, por ambas as partes, são acordos invioláveis que devem ser seguidos à risca. Cancelar um acordo exige desejo de ambas as partes. Aquele que quebrar o acordo passa a ser passível de punição, enquanto a parte não-infratora está livre do acordo, podendo exigir retaliação. Nenhum acordo pode quebrar as leis anteriores.

A Guerra Secreta

Entretanto, nesta nova era, a sombra passou a habitar o coração das pessoas, inclusive o dos feiticeiros. A magia passou a ser perigosa. A capacidade de redefinir a realidade inflou o ego de vários feiticeiros que acabaram sendo corrompidos pelo poder, incapazes de controlar aos seus desejos. Ao ganhar mais poder, todo feiticeiro corre o risco de perder contato com sua natureza humana, de esquecer os limites de seu corpo, sua mente e de sua alma. Muitos se tornam insensíveis, pouco se importando se sua magia terá ou não consequências indesejadas para os demais ou o mundo. Outros não veem razão para restringir suas vontades e usam feitiços até mesmo para realizar tarefas mais ordinárias e banais, que deveriam ser executadas sem o recurso da magia, pondo em risco a harmonia do mundo – pelos escritos de Alexandria, a harmonia dos mundos é diminuída a cada mau uso da magia.

As ordens e as linhagens, atuando como sociedades secretas no Mundo Acima, entraram em uma competição cujo prêmio seria o domínio do mundo. Até mesmo as que entraram na competição procurando restaurar as leis de manutenção da harmonia, precisam do domínio para que suas regras não sejam questionadas. Atualmente, os feiticeiros estão entre os mandachuvas secretos do mundo. Suas ações afetam o teor da sociedade do Mundo Abaixo, do Mundo Acima e até da própria realidade, seja pra algo positivo ou negativo.

Os feiticeiros se veem em meio a essa guerra secreta, disputando seus próprios destinos. E aqueles decididos a lutar por isso não os fazem debruçados sobre um tabuleiro cósmico de xadrez, e sim nas ruas onde moram. Eles não passam os dias contemplando os próprios umbigos e os impressionantes segredos do universo: se metem em todas as coisas, não se limitando a pensar, mas agindo. As ordens e linhagens influenciam muitas tomadas de decisões políticas no mundo. Nem todas se utilizam de magia para alcançar seus objetivos, muitas contam com auxílio de diferentes setores da sociedade, como a mídia, o governo e o clero. Seus membros infiltrados exercem influência nesses setores, auxiliando ou prejudicando ações que venham de encontro às suas. Muitas guerras e revoluções foram iniciadas por causa do conflito entre duas ordens pelo controle de uma região.

O que impede que o mundo entre em total desarmonia são as leis criadas na fundação das ordens, bem como o protocolo social adotado pelas ordens e linhagens. Se alguma resolver chutar o pau da barraca, agindo de encontro com as leis, terá de lidar com a fúria de todas as outras. Por mais que se encare Atlântida como um mito e a busca pela harmonia uma filosofia espiritual, o jogo de poder tem regras e elas devem ser respeitadas – seja por medo da junção de duas ou mais ordens para destruir o transgressor, seja por receio dos mais tradicionais de terem que aprender e se adaptar a novas regras.


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Brasil Abaixo

Mensagem por Leishmaniose em Qui Jul 02, 2015 2:32 am

Brasil Abaixo




No Brasil habitam cerca de 20.000 feiticeiros, tendo uma média de um feiticeiro para cada dez mil humanos comuns no país. A grande maioria opta por ambientes urbanos como grandes cidades e capitais, onde existe uma infraestrutura própria para a comunidade feiticeira. Uma menor parte opta por viver em pequenas cidades e ambientes rurais, com algumas comunidades compostas puramente por feiticeiros. A minoria, cerca de 1% dos feiticeiros brasileiros, opta por viver em lugares isolados, de difícil acesso, procurando manter o mínimo ou nenhum contato com a civilização.

As capitais e algumas grandes cidades possuem versões no Mundo Abaixo, como São Paulo Abaixo, Florianópolis Abaixo e Niterói Abaixo. Tais versões são construídas entre as brechas e no subterrâneo das cidades do Mundo Acima. Os habitantes do Mundo Abaixo podem agir sem preocupar-se com a terceira lei, a Lei da Discrição, bem como exercerem profissões e realizarem atividades que sejam voltadas diretamente para os habitantes do Mundo Abaixo. Por estar nas brechas e no subterrâneo, a presença da magia natural nas cidades Abaixo é maior, ocasionando os mais diferentes efeitos. As cidades quando são construídas levam tais efeitos em conta, permitindo assim a utilização deles como recursos ou particularidades.

Efeitos Mágicos Naturais do Mundo Abaixo escreveu:
• O tempo age estranhamente. Dia, noite, estações e clima são caprichosos e mutáveis, possuindo seu próprio ritmo estético. A noite pode durar, subjetivamente, por dias, mesmo que lá fora, no mundo acima seja dia – é possível entrar em um lugar do Mundo Abaixo em pleno dia no Mundo Acima e no lugar estar tudo como à noite, inclusive com lua e estrelas visíveis em janelas ou grades, bem como se você sair em pouco tempo de lá, verá que tudo voltou a ser dia como no Mundo Acima. Assim como pode estar no verão no Mundo Acima e no Mundo Abaixo estar frio como se estivesse nevando – mesmo que não neve nunca naquela cidade. Ou estar com clima chuvoso no Mundo Acima e ao entrar no Mundo Abaixo esteja quente e abafado, sem nenhuma umidade, como em um forte dia de sol.

• O espaço não segue as leis da física. Lugares no Mundo Abaixo não correspondem ao do Mundo Acima e vice-versa. Um local do Mundo Abaixo cuja entrada se localiza numa cabine de polícia britânica antiga no Mundo Acima pode ter um espaço interno maior que uma mansão, enquanto que um local do Mundo Abaixo cuja entrada se localiza em um Armazém Gigantesco pode ter o espaço interno menor que um banheiro. Além disso, os caminhos seguem uma lógica própria, como você descer uma grande escadaria por algumas horas, no subterrâneo, e a porta de saída dar no topo de um arranha-céu da cidade.

• A maioria dos aparelhos eletrônicos não funciona, a quantidade de magia interfere com o campo eletromagnético fazendo com que até mesmo relógios digitais pifem ou parem de funcionar enquanto estiver no Mundo Abaixo. Apenas aparelhos eletrônicos com ajustes feitos pelos habitantes do Mundo Abaixo, como troca dos circuitos elétricos por oricalco, ou feitiços específicos, continuam com seu funcionamento normal. Bússolas não apontam o norte real enquanto está no Mundo Abaixo, mas o norte daquele local em específico onde eles se encontram, mesmo que o norte esteja em uma parede no sul do Mundo Acima.

• O espiritual é físico. Sonhos, emoções e pensamentos fortes podem ter substância e influenciar regiões do Mundo Abaixo, para bem ou para mal. Uma pessoa com medo de uma região em específico pode ver seu medo materializado em um monstro ao entrar naquela região, bem como uma pessoa que esteja muito feliz pode acabar se deparando com ambientes iluminados enquanto caminha no Mundo Abaixo. Sonhos, pensamentos e emoções podem ser materializados em substâncias líquidas ou sólidas, atuando como moeda de troca em alguns lugares – no Mundo Abaixo, uma garrafa com inocência dentro pode valer mais que peças de ouro, dependendo do comerciante com quem se negocia.

As cidades do Mundo Abaixo são regidas pelo Prefeito, sendo ele o maior representante da região onde se encontra a cidade – não existem regentes similares aos governadores, os prefeitos se dirigem diretamente à Presidência do Brasil Abaixo. A segurança é providenciada pelos regentes da cidade e dos domínios, ficando o presidente do Brasil Abaixo responsável pela segurança e decisões referentes ao país, bem como pela educação e saúde. As cidades possuem plena autonomia na República do Brasil Abaixo, sofrendo intervenção direta do governo federal apenas em situações drásticas. O presidente do Brasil Abaixo é escolhido por votação, assim como a maioria dos Prefeitos – exceto em casos especiais de algumas cidades com leis próprias ao regime de governo.

Domínios menores da cidade abaixo, chamados de bairros podem ser concedidos pelo prefeito a figuras importantes, que passam a ser responsáveis por aquele local ou região, podendo elaborar suas próprias leis locais, desde que elas não contradigam as leis da cidade, as leis do país e as leis tradicionais. Alguns domínios ou cidades podem possuir características anacrônicas, com elementos referentes a cultura de outros lugares ou de outros tempos na história da humanidade. Dessa forma é possível encontrar domínios ou até cidades que possuam características de outras épocas, como a Era Vitoriana, a Idade Média, algum país exótico como a China ou de culturas menores, como a Amazona. Leis próprias refletem essa cultura, adicionais às leis da cidade e/ou tradicionais.

Assim como no Brasil Acima, os feiticeiros possuem uma grande diversidade étnica, seja por união de pessoas de diferentes etnias com feiticeiros, seja pelo surgimento de feiticeiros em famílias de diferentes etnias – mesmo que nunca tenha existido uma gota sequer de magia nos antepassados dele, a feitiçaria segue um caminho que tem lógica própria. As religiões também são variadas, apesar de ainda haver uma predominância ao cristianismo devido à colonização ter tido tal influência.

Sobre Religiões no Mundo de Lugar Nenhum

Por mais que a existência da magia seja um elemento que altere bastante a percepção e forma de pensar das pessoas, no Mundo Abaixo ainda existem mistérios e muitos ainda estão relacionados ao Divino. Não há respostas exatas para existência de divindades ou do que realmente acontece após a morte – sim, há estudos e experimentos, mas eles são tão conclusivos quanto no nosso mundo, ou seja, não garantem nada, ainda mais com a natureza volátil causada pela existência da magia no Mundo Abaixo.

Existem magias necromânticas que entram em contato com pessoas mortas, mas não se tem provas se está entrando em contato com o espírito mesmo da pessoa que está em outro lugar, com o eco da consciência da pessoa que foi reunido durante a execução da magia ou se há algo por trás daquilo. Existem fantasmas, mas não se tem provas se eles são realmente espíritos que saíram de um mundo para onde vão as almas das pessoas mortas ou se eles são, novamente, ecos de uma consciência que acabou entrando em contato com a magia do Mundo Abaixo – um local que permite que o espiritual se torne real deixa o conhecimento das coisas bastante variáveis, de forma que não se estabeleça certezas.

Uma entidade pode aparecer para as pessoas em uma determinada comunidade, mas como confirmar que ele está falando a verdade? E se for uma criatura mágica? Ou uma criatura de outro mundo com poderes superiores? No Mundo Abaixo até pode haver provas ou estudos que revelem um pouco do divino real, mas, assim como no Mundo Acima, está no meio de várias provas e estudos que não revelam nada ou até contradizem o real por uma circunstância particular, apenas aumentando a incerteza. Nada é certeza, nem mesmo através da magia.

E justamente por não haver o estabelecimento de certezas é que há espaço para a fé e religiões. As religiões do Mundo Abaixo são idênticas em 90% às religiões do Mundo Acima, exceto principalmente no quesito magia. Para os religiosos do Mundo Abaixo, a magia é algo natural do mundo, às vezes, dependendo da crença, um presente do Divino – e os feiticeiros o povo escolhido para uma missão, devendo voltar-se ao Divino para que possam cumprir essa missão.

A grande maioria das religiões abraça a filosofia da Harmonia, embora o conceito de harmonia diferencie de crença para crença – para alguns evangélicos do Mundo Abaixo lidar com a Necromancia é algo proibido, visto como desafiar as leis da natureza e, portanto, a harmonia do mundo, enquanto que para Espíritas do Mundo Abaixo é algo bastante comum que auxilia nas suas práticas de orientação e iluminação das pessoas no ciclo de reencarnações, sendo impossível haver harmonia sem a utilização desse caminho. Para os religiosos os feiticeiros são pessoas especiais, escolhidas por Deus/Divino/Entidades/Espíritos Superiores, para zelar pela manutenção da Harmonia do mundo. E eles seguem essa linha de pensamento.

Quanto às restrições ou condenações da Magia em livros sagrados ou doutrinas, eles acreditam que estão certos: a magia não pode ser tentada por não-feiticeiros, isso colocaria a Harmonia em risco e iria contra os planos naturais/divinos. Pessoas que não nasceram com o dom da magia não podem ter acesso a elas. E os livros sagrados e doutrinas se referem às pessoas comuns – até porque não podem se referir aos feiticeiros por quebrar a lei da discrição.

Por fim, feiticeiros podem pertencer a qualquer religião ou a nenhuma religião. Não são obrigatoriamente todos adoradores da Deusa em uma religião celta, havendo tanta diversidade religiosa no Mundo Abaixo quanto no Mundo Acima – a tolerância entre as religiões varia de cultura para cultura e de lugar para lugar, mas eles não costumam se envolver em conflitos religiosos de não-feiticeiros.



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Academia Arcana Breasail

Mensagem por Leishmaniose em Qui Jul 02, 2015 2:33 am

Academia Arcana Breasail



O ensino no Brasil Abaixo é responsabilidade do governo federal, havendo cinco escolas públicas nas diferentes regiões do país, além de algumas particulares que obedecem as leis do mercado, financiadas pelos pais dos feiticeiros estudantes. A Academia Arcana Breasail é uma escola de magia que foge a essa regra. Ela é autossustentável, pagando suas despesas com pesquisas, estudos acadêmicos e venda de recursos naturais encontrados na ilha.

Por não depender do governo ou das finanças de pais de alunos, a escola possui um modelo próprio de atuação. Essa autonomia da escola chega a desagradar alguns poderosos do Brasil Abaixo, mas eles não podem fazer nada porque a Academia cumpre com as exigências realizadas para a continuidade de seu funcionamento – o aumento dessas exigências poderiam comprometer as escolas particulares e as públicas, acarretando em mais problemas do que soluções. Outras medidas legais tomadas contra o funcionamento da escola acabam tendo resoluções rápidas, devido à influência da família da fundadora da escola, cujo único membro ainda vivo atua como diretora do lugar.

Fundação

A Academia Arcana Breasail foi fundada em 30 de maio de 1880 por uma poderosa feiticeira de nome Alanna Nunes. A fundadora teria tido uma visão na noite de 06 de janeiro de 1880 que falava sobre o futuro do Brasil em alguns anos, uma visão que a deixou alarmada, principalmente devido à prosperidade que o Império vinha apresentando na época – a relação entre o Imperador do Brasil Acima e o Imperador do Brasil Abaixo era harmoniosa, o que favorecia o desenvolvimento dos dois lugares. Mas o progresso da forma como estava sendo realizado desagradava alguns grupos, principalmente nobres de ambos os mundos, que desejavam estabelecer mudanças mais favoráveis aos seus planos. Dizem que a fundadora chegou a conversar com ambos os imperadores, graças à influência da sua família, que sempre foi grande amiga e apoiadora da coroa. Sem resultados, ela teria partido com destino desconhecido.

Alanna reapareceu alguns meses depois, mudada. Ela tinha envelhecido pelo menos uns cinco anos feiticeiros em tão pouco tempo e estava com os cabelos completamente prateados, apresentando habilidades mágicas surpreendentes. Dizia ter encontrado uma tutora no Mediterrâneo que teria a ensinado nas artes mágicas avançadas e agora que seu treinamento terminara estava disposta a repassar esse conhecimento.

Ela erguera uma ilha no meio do Atlântico, a qual chamou Atallantea, ocultando-a da visão em um bolsão dimensional. Na ilha, ela construiu uma escola, a qual chamou Academia Arcana Breasail – fazendo referência à ilha dos abençoados da mitologia medieval. Após a burocracia para a abertura de uma escola ter sido resolvida, ela convidou como alunos algumas crianças – ela teria escolhido a dedo as crianças com potencial mágico, mesmo que para os olhos da sociedade e dos sábios as crianças não apresentassem grande potencial, seja por sua inabilidade na magia ou sua classe social. Paralelamente, ela conseguiu o desígnio de domínio pessoal seu para a ilha, garantindo sua autonomia.

O sucesso com sua primeira turma de alunos, que foram capazes de passar com louvor nos testes realizados nos anos seguintes, deu a escola um bom renome. Entretanto, ela continuava escolhendo a dedo os alunos de cada ano, o que desagradou alguns nobres e políticos que desejavam que seu filho estudasse em Breasail. Algum tempo depois ela estipulou um exame que permitiria o ingresso de quem desejasse se candidatar a estudar no colégio, o exame por ser bastante rigoroso acabou eliminando a maior parte dos candidatos.

Foi quando ocorreu o golpe do estado republicano no Império e os Imperadores foram enviados para o exílio, junto com suas famílias. O estado tentou tomar posse do colégio que já possuía um bom renome, mas os direitos de domínio conseguidos por Alanna eram irrevogáveis. Abordagens diretas foram tentadas, mas ela demonstrou grande poder, fechando as fronteiras da dimensão onde se encontrava a ilha – só encontrava a entrada pra ilha quem ela desejava que o fizesse. Como a situação do país estava conturbada, os republicanos deixaram a escola de lado, acreditando que com o tempo conseguiriam mudar a situação...

Dias Atuais

Atualmente a escola continua firme e forte em sua tradição, mesmo após o Brasil ter passado pelos mais diversos tipos de governos. Ela chega a competir de igual para igual com as escolas públicas e com as escolas privadas. A dificuldade em seu exame de admissão é bastante conhecida, chegando a conferir um certo status aos que conseguem ser aprovados a estudar na Academia. Paralelamente, os convites continuam sendo realizados, com a diretora escolhendo crianças que podem estudar na Academia sem precisar passar pelo exame de admissão – e o critério de escolha ainda continua desconhecido, só tendo acesso a essa informação a diretora. A direção é hereditária, estando em sua terceira gestão, a de Luciana Nunes, neta única de Alanna e filha de sua única filha, Clarissa Nunes. Após o falecimento da avó e da mãe, Luciana tem conduzido a escola, utilizando-se dos conhecimentos pedagógicos que adquiriu em universidades europeias.

A escola sofreu ampliações e teve alterações em seus modelos de ensino, currículos e estruturas, sempre se atualizando e adequando-se às tendências atuais de ensino. O terreno da ilha passou a ser considerado um campus acadêmico do colégio e ele tem moldes possuídos apenas por institutos federais, mesmo permanecendo apenas com o ensino fundamental e médio – com o aluno ingressando aos 7 anos e finalizando seus estudos aos 18. Alguns dos ex-alunos acabam tornando-se professores na instituição, conseguindo acesso a uma formação em ensino superior por intermédio da direção.

Funcionamento

A escola funciona em regime de internato, orçando com todas as despesas referentes à alimentação, hospedagem, transporte, segurança e estudo dos alunos, chegando a oferecer o uniforme e o material escolar, além de orçar com os custos de expedições e viagens escolares.

Despesas relacionadas ao lazer pessoal são de responsabilidade do aluno, podendo ser enviado pela família do aluno ou o mesmo procurar alguma atividade de monitoria ou apoio técnico, oferecidos pela escola, para a obtenção de tal renda.

O ano letivo tem início na metade de Fevereiro e encerramento na metade do mês de Dezembro, antes do período de festas de final de ano. Quando o Carnaval ocorre no final de fevereiro ou em março, a escola organiza eventos referentes a ele, bem como o de alguns outros feriados ou datas festivas. Durante o ano letivo só é autorizado o retorno para casa durante as férias de julho, havendo a opção do aluno permanecer no colégio, tanto nas férias de meio de ano como nas do início e final do ano – desde que com autorização do responsável.

O transporte do continente para a ilha e da ilha para o continente no início do período letivo, nas férias do meio do ano e no final do período letivo é realizado por uma aeronave, que permanece o restante do ano a serviço especial da escola. Por fora a aeronave azul aparenta ter espaço apenas para cinco pessoas. Por dentro, ela sofre uma alteração espacial, possuindo um salão grande, cabines com vista do voo para até seis pessoas, refeitório, compartimento de carga, cabine de professores e enfermaria. A aeronave é a única que possui autorização da escola para cruzar a fronteira que leva até o bolsão dimensional onde se encontra a ilha.

Atividades Curriculares

A escola apresenta um currículo de disciplinas bem variadas, distribuída em bases.

A primeira base é de disciplinas comuns em escolas do Brasil Acima, que costumam ser negligenciadas em algumas escolas do Brasil Abaixo, a inserção dessa primeira base tem como objetivo que os alunos não vejam o Mundo Acima como um lugar à parte, mas como uma parte do todo que é o mundo em que vivem. A escola acredita que há uma perda de potencial quando tal conhecimento é negligenciado e que a apresentação de outro ponto de vista pode ampliar a visão dos seus alunos. A primeira base é obrigatória para todos os anos. Fazem parte da primeira base as seguintes disciplinas: Filosofia, Geografia, História, Matemática e Português.

A segunda base é composta das disciplinas mágicas propriamente ditas, lidando com as particularidades do Mundo Abaixo e de seus habitantes, bem como da magia em seus mais diversos campos de atuação. O aluno deve escolher no mínimo cinco dessas disciplinas para cursar durante o ano letivo, o nível que ele cursará é de acordo com as cursadas anteriormente. Fazem parte da segunda base as seguintes disciplinas: Abjuração, Alquimia, Divinação, Encantamentos, Evocação, Magizoologia, Necromancia, Ritualismo, Shamanismo, Tecnomagia, Transmutação e Vôo.

A terceira base é composta de disciplinas optativas, devendo o aluno escolher no mínimo três para pagar ao longo do ano letivo. Fazem parte da terceira base as seguintes disciplinas: Biologia, Economia Doméstica, Educação Artística, Educação Física, Física, Idiomas (cada idioma conta como uma disciplina: Alemão, Espanhol, Francês, Grego, Inglês, Japonês, Latim, Mandarim, Russo, Sanscrito), Literatura, Música e Química.

O limite máximo de disciplinas escolhidas por um aluno é de quinze, que juntando com as cinco obrigatórias da primeira base resultaria em vinte disciplinas ao longo do ano. Mais do que isso comprometeria o desempenho do aluno. Caso perceba que não conseguirá dar conta, ele pode trancar até 7 disciplinas, desde que mantenha 5 da segunda base e 3 da terceira base.

Atividades Extra-Curriculares

A escola oferta atividades extra-curriculares, realizadas em horários diferentes das aulas, que são a bolsa de monitoria, a bolsa de apoio técnico e ou clubes:

• A bolsa de monitoria permite ao aluno atuar como um monitor, auxiliando o professor na realização das atividades de uma disciplina, assim como fazer plantões de dúvidas, tirando as dúvidas dos alunos, e grupos de estudos, aprofundando os estudos e revisões das disciplinas, em horários específicos. A monitoria conta como uma atividade da terceira base, além de ser remunerada.

• A bolsa de apoio técnico permite ao aluno atuar em uma função técnica, como auxiliar de bibliotecário, cozinheiro, jardineiro, mecânico ou alguma outra atividade realizada por alguns dos funcionários da escola. A bolsa de apoio técnico é vista como uma educação profissionalizante, contando como uma atividade da terceira base, além de ser remunerada.

• Os clubes são atividades temáticas em que os alunos podem atuar em seus momentos livres, exercendo um conjunto de ações referentes a tal tema. A escola oferta alguns clubes específicos de assuntos voltados a interesses acadêmicos, mas possibilita a criação de clubes com temáticas mais amplas, desde que possua mais de cinco membros e o conteúdo seja relevante. Ao final de cada trimestre os clubes realizam apresentações sobre o seu conteúdo, bem como apresentam obras, artigos ou demonstram o que foi obtido ao longo dos três meses de atuação do clube. Atuar em um clube conta como uma atividade da terceira base, além de conceder uma sede aos alunos do clube.

Torres

Ao ingressar na Academia Arcana Breasail em seu primeiro ano, o aluno passa por um evento de seleção, que designa a qual torre ele pertencerá durante seu ano letivo. Na Torre designada o aluno terá direito a um quarto com banheiro – que dividirá com um colega –,um salão comunal para interação social, sala de estudos para realização das tarefas após o horário de recolher, copa para realização de lanches e banheiros públicos para cada gênero. A Torre possui uma entrada com acesso restrito, onde somente o membro daquela Torre pode ingressar – os demais são barrados magicamente – e os uniformes recebidos pela escola possuem o brasão e as cores da Torre ao qual o aluno pertence.

Torres escreveu:


Brisa

Lema: “Somos o vento do conhecimento que dispersa a névoa da ignorância.”
Mascote: Garça. Elemento: Ar. Cor: Branco.

Os alunos da casa Brisa compreendem o mundo através do pensamento. Para eles, ideias e conceitos podem ser mais reais do que tangíveis, o que torna natural que o fato de seguirem os mais diversos ideais. Como se importam com a aparência e a direção das ideias, podem se deparar com obstáculos materiais ou caírem em armadilhas lógicas de sua própria autoria, mantendo-os inertes enquanto estudam uma forma de superar essa situação.

Alunos da casa Brisa são bastante sintonizados com o mundo dos sentidos, tendo sua atenção facilmente desviada para qualquer estímulo ao seu redor, dando a impressão de que são facilmente distraídos ou aéreos. Também é comum que se aborreçam ou se irritem com sons, cheiros e sabores levemente perturbadores. Entretanto quando imersos em alguma atividade que tenha conseguido sua atenção e concentração, eles tendem a ignorar tudo o que está ao seu redor, fascinados pela ideia apresentada pela atividade.

Tidos como racionais e questionadores, tendem a analisar mentalmente as situações antes de se deixarem levar pelas emoções. E embora apresentem traços de tais emoções, não costumam ir tão longe com a alegria e o otimismo. Seu raciocínio lógico acaba atribuindo-lhes um tom de ceticismo em relação a tudo, que pode resultar em um lado extremamente negativo e crítico que manifestam através da ironia ou sarcasmo, muitas vezes amargo.

A grande maioria dos alunos da casa Brisa gosta de resolver charadas, esclarecer mistérios, fazer jogos de palavras ou outras formas de testar sua capacidade mental – e quanto mais complexo for o desafio mental, mais divertido será para eles. Entretanto a frustração por não conseguir solucionar o desafio pode levar alguns a uma séria obsessão, em que só conseguem descansar quando for solucionado – e alguém ofertar a solução pode acarretar em sérios riscos de rompimento de relacionamento com quem tentou ajudar.

Para a grande maioria, o maior desafio mental de todos é o de compreender e entender o funcionamento do mundo e das coisas nele, por isso se dedicam em estudos e experimentos, procurando obter tal conhecimento. Entretanto, sabe-se que os alunos da casa Brisa, justamente por saberem de como as coisas funcionam, tendem a perder o interesse nelas e a descoberta de coisas novas reanima seu interesse pelo mundo e pela vida, além de apresentar uma nova coisa a ser entendida e decifrada. Alguns alunos sem uma ocupação mental tendem a adquirir comportamentos excêntricos e instáveis, alegando que sua mente se rebela na estagnação.

Alunos da casa Brisa compreendem rapidamente as coisas fora do âmbito mental, mas eles esquecem também com rapidez: raramente guardam rancor por muito tempo e muito menos se agarram a relacionamentos desgastados. Por esse motivo são muitas vezes acusados de serem superficiais em suas emoções ou de serem como borboletas que saltam de uma flor para outra quando se acostumam com uma situação ou relacionamento. A verdade é que a maioria deles gosta de divertir-se de maneira natural e espontânea, além de acharem difícil suportar demonstrações de emoção possessiva ou sentimentalismo, pois acreditam que o toque é um ato de intimidade. No entanto, sua aparência externa fria e distante pode esconder sentimentos turbulentos.






Chuva

Lema: “Somos a chuva que cai silenciosa, mas faz transbordar o seu coração.”
Mascote: Marlim. Elemento: Água. Cor: Azul.

Os alunos da casa Chuva compreendem o mundo através das emoções, do sentimento. As considerações emocionais assumem grande prioridade na sua vida, fazendo com que a maioria dos alunos desenvolva uma extrema empatia e compreensão acerca dos sentimentos dos outros, possuindo uma maior facilidade em perceber tais sentimentos. Dessa forma é natural que alguns se sintam profundamente magoados quando as demais pessoas não os retribuem compreendendo as suas emoções e sentimentos.

A maioria dos alunos da casa Chuva possui uma forte sensibilidade a críticas e a rejeição por parte dos outros, sendo capazes de saber quando alguém os aprova ou desaprova antes de qualquer palavra ser dita. Por isso alguns tendem a desenvolver alguns mecanismos de defesas que auxiliem a lidar com tais situações, que vai desde o simples afastamento a não levar em consideração nada que for dito pela pessoa. Sem tais mecanismos de defesa, eles acabam caindo em um ciclo de tentar conseguir a aprovação por parte da pessoa, o que muitas vezes acaba resultando em mais e mais mágoas.

A sensibilidade natural às emoções permite que a maioria dos alunos da casa Chuva saibam quais as necessidades dos outros e como utilizá-las ao seu favor. Dessa forma, eles podem ser bastante convincentes em suas ações sociais ao utilizar as emoções dos demais da forma e da maneira certa para obter o que desejam. Isso dá uma fama de manipuladores aos membros da casa, embora a grande maioria busque utilizar essas habilidades para algo que favoreça a um bem maior ou pelo menos a maioria dos seus amigos.

Como seus sentimentos são intensos, os alunos são, quase sempre, sérios e profundos, procurando dar um maior significado às suas manifestações emocionais. O humor tem um significado especial, não apenas por poder suavizar seu temperamento, mas devido à sua capacidade de dissolver barreiras entre as pessoas. E essa capacidade de conseguir atravessar barreiras emocionais dos outros, conseguindo a compreensão deles a respeito de seus sentimentos é algo mais do que desejado por um aluno da casa Chuva. Ser aceito, compreendido e até correspondido em suas expressões emocionais é o ápice desejado por um membro da casa Chuva em seus relacionamentos.

De natureza social, os alunos da casa Chuva adoram reunir as pessoas em um ambiente cordial em que possam esquecer-se das suas angústias, pesares e preocupações, apenas aproveitando aquele momento de interação, de fortalecimento de laços afetivos e de relacionamentos interpessoais. Por isso, é natural que muitos alunos da casa Chuva sejam vistos como verdadeiros amigos por muitas outras pessoas enquanto possuem como amigos verdadeiros apenas um grupo seleto de poucas pessoas, mas pessoas com quem ele pode contar sempre. Gostam de se vestir bem, procurando seguir um estilo pessoal próprio, mas tendo como referência algumas modas, já que isso os ajuda a se enquadrarem em um conceito social de mais fácil compreensão por parte dos outros alunos, facilitando a sua socialização e interação com eles.

Detentores de um charme natural, a maioria dos alunos da casa Chuva acaba possuindo uma forte sensualidade inerente em suas ações, embora de um tipo mais tranquilo e fluido, do qual não precisam se esforçar muito para possuir. Apegados, alguns podem acabar tornando-se exigentes e difíceis em seus relacionamentos, chegando a ter características mais possessivas, mesmo em relação a amigos ou colegas. Em geral, são profundamente envolvidos em seus relacionamentos, principalmente os amorosos, tendo frequentemente bastante dificuldade de se libertar deles.






Lume

Lema: “Não há frio que resista ao nosso calor, somos a luz temida pela escuridão.”
Mascote: Mico Leão Dourado. Elemento: Fogo. Cor: Amarelo.

Os alunos da casa Lume compreendem o mundo através da intuição. Palpites, apostas e agir impulsivamente caracterizam os alunos dessa casa. Não é preciso que alguém diga a eles o que fazer, quando fazer, eles geralmente já sabem. É mais frequente serem guiados por um sexto sentido que raramente se engana, exceto quando eles mesmos duvidam dele. Por isso conseguem se sair melhor quando seguem seu primeiro impulso do que quando refletem demais.

Alunos da casa Lume têm uma profunda consciência de si mesmos, por isso preocupar-se pode ser especialmente destrutivo para sua visão otimista, minando sua geralmente grande autoconfiança. Em geral, movem-se depressa demais para mimarem-se e, às vezes, se aborrecem quando outras pessoas demonstram abertamente algum tipo de possessividade ou intimidade sem ter tal direito. Gostam da excitação dos esportes e de atividades físicas desafiadoras. Devido à sua natureza, tendem a ser egoístas e prezam pela liberdade e diversão. Alguns tendem a reagir à menor provocação, seja uma ofensa ou alguma atitude possessiva ou autoritária que presenciem.

Embora possuam um alto grau de imprevisibilidade, são capazes de dedicar-se a um trabalho extenuante ou seguir uma programação durante anos, se necessário. Como membros da Academia, e acima de tudo, como membros da casa Lume, são extremamente leais e fervorosos. Mas se as coisas não derem certo, em geral são suficientemente honestos para admiti-lo.

Os membros dessa casa acreditam terminantemente que a vida foi feita para ser aproveitada de forma divertida e com liberdade. Para um Lume, a diversão e liberdade são coisas primordiais. Uma escola é um lugar nada divertido, por isso os lumes tentam tornar sua escola divertida. O problema é que, às vezes, o que consideram diversão vai de encontro aos padrões da escola, principalmente para os educadores mais tradicionalistas – o que acarreta em detenções na maioria das vezes. Por isso os lumes costumam ter sérios problemas com figuras de autoridade e punições.

Para evitar ser pego, um Lume, procura ser discreto em suas ações. Faz parte do desafio, e da diversão, divertir-se como deseja sem ser pego por algum educador. Entretanto, se o for, ele tende a mostrar-se maroto e versátil o suficiente para lidar com a situação, conseguindo amenizar a situação. E por isso, os alunos da Lume recebem fama de escorregadios.

Os alunos da Lume aceitam as regras do colégio e entendem que faz parte do “jogo” as detenções. Entretanto, se algum educador usar de autoritarismo extremo o efeito costuma ser contrário: ao invés de inibir, acende uma chama revolucionária. Rivalidades e inimizades são colocadas de lado em prol da luta contra a opressão – dizem que se os lumes fossem tão unidos em tudo quanto o são contra figuras autoritárias, ganhariam todas as competições. Reconquistada a liberdade no colégio, os lumes voltam aos seus afazeres diários, procurando tornar a sua estadia no colégio um pouco mais divertida.






Rochedo

Lema: “Nós moldamos o nosso destino e, através dele, transformamos o mundo.”
Mascote: Jabuti. Elemento: Terra. Cor: Verde.

Os alunos da casa Rochedo apreendem o mundo primariamente através da sensação. Como sua orientação é predominantemente empírica, tendem a julgar a qualidade das coisas pelos sentidos da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato. Eles procuram experimentar as coisas, tentar vivê-las e senti-las, entendendo a relação delas com eles. Da mesma forma ao se expressarem procuram fazê-lo de forma a ser compreendia através dos sentidos, mesmo que certas sutilezas acabem passando despercebidos pela maioria.

Para os alunos da casa Rochedo as realidades tangíveis não têm maior significado do que sonhos e fantasias, pois são pragmáticos e trabalhadores, acreditando que o que se sente é o que se é obtido. Tal postura torna aos membros mais propensos à ação, para eles o pensamento é necessário apenas como norteador para o que deverá ser feito. Isso os aproxima bastante de atividades mais materiais, em que possam ver ou sentir o resultado de sua ação, como criação de itens mágicos e poções ou a arte.

As necessidades físicas gerais dos alunos da casa Rochedo recebem usualmente grande prioridade, sendo geralmente expressas através de esportes, de artes, de zelo com os amigos e de trabalhos de criação ou de trabalhos manuais. A maioria dos alunos possui uma necessidade de sentir que estão fazendo algo e somente o pensamento, emoção ou reflexão não são suficientes, é preciso algo que possa ser sentido, que tenha sua expressão física. Caso não consigam, tendem a cair no desânimo. Em geral, eles gostam de trabalhos manuais e costumam ser pessoas autossuficientes, preferindo não pedir ajuda. Também costumam ter muita dificuldade para aceitar ajuda, pois consideram mais fácil fazer tudo eles mesmos, sem muito discurso, discussão ou atrasos por parte dos outros.

Para a maioria dos alunos da casa Rochedo, o que é importante é o que está atuando naquele momento e naquele local. Não há necessidade de se preocupar com algo que já passou a ponto de não ser mais sentido, nem do que poderá vir a ser. A única preocupação válida é com o que há no aqui e agora, que está afetando seus sentidos e o das pessoas ao redor. Por tal postura, tendem a ser reativos, agindo apenas sob uma real necessidade, sendo econômicos no uso do seu tempo e, em geral, evitando ter de fazer algo repetidas vezes.

Os alunos da casa Rochedo possuem grande prática em ter paciência, sempre respirando fundo em situações adversas ou abertamente conflitantes. Por terem o hábito de economizarem seu tempo, eles desenvolveram a capacidade de esperar, procurando escolher o momento mais adequado para agir. E ao agirem, utilizam todas suas forças e potencialidade, procurando economizar na quantidade de ações a serem realizadas e resolver a situação com uma ação precisa e definitiva. A maioria dos alunos também possui a capacidade de perseverar, mantendo-se firme em suas ações mesmo quando todos os outros já recuaram.

A postura de observar e esperar pode resultar em procrastinação em alguns. Assim, a mesma paciência que os torna uma verdadeira fortaleza, pode enfraquecê-los caso se torne uma escusa para a inação. Orgulhosos, resistem bastante a rever sua posição ou ação após iniciado, o que acaba resultando algumas vezes em ficarem dando soco em ponta de faca até perceberem que não está resultando em nada, sendo apenas perda de tempo. E para a maioria dos alunos da casa Rochedo, sentirem que estão perdendo tempo superar qualquer orgulho ferido.



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Nós somos os grãos esmagados em seu mover."



"Se não posso proteger apenas estendendo a minha mão, desejo uma espada...
Um poder capaz de despedaçar o Destino deve ser como a lâmina de uma espada."


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Ou a Aventura encontra Você".
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