Birthright - Prólogo de Arya

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Birthright - Prólogo de Arya

Mensagem por Leishmaniose em Dom Jul 05, 2015 11:12 pm

Olá,

Durante o ano de 2012, Joka mestrou no cenário de campanha de Birthright, utilizando o AD&D. Ao final da primeira temporada, ele modificou para o D&D Essentials e eu troquei de personagem na mudança, iniciando a segunda temporada com uma elfa maga que tinha atuado como NPC na primeira temporada, abandonando minha ladina halfling que foi uma das minhas melhores e mais irritantes personagens nos jogos do Sandu - "Um toque de civilização em meio à barbárie".

O conto abaixo tinha como objetivo demonstrar o que aconteceu entre as duas temporadas e como Arya, a maga elfa, recebera os dons da Linhagem Sanguinea de Basaia.

Bonanças.

Atenciosamente,
Leishmaniose

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"Se o Destino for mesmo um Moinho...
Nós somos os grãos esmagados em seu mover."



"Se não posso proteger apenas estendendo a minha mão, desejo uma espada...
Um poder capaz de despedaçar o Destino deve ser como a lâmina de uma espada."


"Você encontra a Aventura
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Prólogo - Arya

Mensagem por Leishmaniose em Dom Jul 05, 2015 11:16 pm

Prólogo - Arya


A sombra por trás da cortina apenas demonstrava que ela queria que eu a percebesse, mas ainda assim fora silenciosa o suficiente pra não me assustar. Com outra pessoa ela apenas ficaria na sombra criada pela noite, mas ela sabia que eu enxergava na penumbra. Olhando para a carta amassada em minha mão, eu percebi que sabia que ela viria. Há duas primaveras anteriores ela surgira e fizera a proposta, fazendo o anúncio sobre a vinda de tempos sombrios. Recusei, acreditando que as coisas se ajeitariam ao seu devido tempo, como tudo no ciclo da vida...

Agora eu tenho certeza que ela não ficara no Mundo das Sombras por mero desdém como o que demonstrara. Havia alguma intenção e seus raros contatos apenas demonstravam que ela sabia algo, embora não dissesse o quê. Indagar não seria suficiente, ela apenas responderia com uma evasiva. Já era matreira quando ainda vivia aqui, não sei o quanto o Mundo das Sombras a afetou em sua forma de pensar. Antes que eu me perdesse em mais pensamentos, ela saiu de trás da cortina, junto com sua companheira pixie.

Não mudara nada, como se tivesse envelhecido apenas alguns dias. Pelo menos na aparência, já o olhar estava diferente, como se tivesse dificuldade em enxergar as coisas do mundo real, como se olhasse através de tudo... ao mesmo tempo mais sábia, ao mesmo tempo mais distante.

— Os tempos sombrios estão chegando, Arya... Esse foi apenas o relampejar que anuncia a tempestade...

— O relampejar... — balbuciei. Quando recebi a notícia do desaparecimento de meus pais e a situação da família entre as casas élficas, eu não hesitei e retornei para casa. Com a bênção da rainha. Mas agora... com o ocorrido...

— Os acontecimentos não são meros conjuntos de pontos que ocorrem ao longo da vida. Eles estão conectados. Na verdade, Arya, eles foram feitos para se conectarem. — ela estendeu o braço aproximando-se. — Você sabe o que deve fazer, então o faça...

Hesitei, mas os acontecimentos retornaram como uma enchente de água que não se podia parar. O desaparecimento de meus pais fora há uma primavera e meus irmãos estavam com problemas em manter o status da casa Beaujolais, exigindo meu retorno à terra natal. Tudo que descobri aqui era que a situação da casa deveria estar normal, mas não estava. Não precisava ser um gênio pra deduzir que havia uma maquinação por trás da atual situação. Mas com qual motivo?

A chegada da carta anunciando o desaparecimento da rainha, de seu general e do seu fiel paladino aparentara ser o motivo: manter-me fora do reino com o qual eu tinha assumido compromissos. Achei que podia ser paranoia devido ao nervosismo das notícias dadas na carta, mas agora, com as palavras de Tristana... Tudo parecia ter sentido. Nem precisei perguntar se era sobre isso que ela estava falando, seu olhar já respondia que sim – como se estivesse vendo através de minha mente.

— Não tenho muito tempo, Arya. — e de fato, não tinha mesmo. Seu braço esquerdo começava a ficar mais tênue, como se feito de sombra. Ela estava sendo puxada de volta. Era cada vez mais custoso permanecer no mundo de Cerilia para ela. Sem hesitar, segurei o seu braço direito.

***

Pergunto-me se a linhagem de Basaia manifestou-se de forma diferente em mim ou se apenas recebi o que Tristana desejava que eu obtivesse – ou o que Basaia acreditava que eu necessitava possuir. Com os acontecimentos mais recentes realmente consigo sentir a ventania da tempestade anunciada alguns anos atrás... Mas dessa vez eu estava preparada, tive tempo de me preparar e criar uma rede que pudesse dar suporte ao reino em caso de novos problemas. Vínculos e contatos foram traçados, bem como tomei sob minha regência o condado de Piltover.

Neste exato momento ouço Luxanna aproximar-se pelo corredor, provavelmente pra avisar que a carruagem está pronta. A minha amiga de infância acompanhou-me, abandonando os campos élficos por um laço de lealdade ao qual nunca saberei como recompensar, embora ainda esteja aprimorando suas habilidades místicas. Ao lado dos passos dela dá pra ouvir alguns passos menores, embora mais “ansiosos”. Provavelmente de Lulu ou Annie, as gêmeas. Mesmo sendo humanas, eu as tenho como uma irmãs mais novas. Elas cresceram bastante nesses 12 anos, desde que as retirei de Ionia após Annie me pedir esmola para alimentar ela e a irmã. O talento mágico das garota é incrível, acredito que em mais alguns anos elas superarão a mim e Lux.

Olhei pela janela, sutilmente. Sona estava esperando ao lado da carruagem. Clériga de Erik, ela atua como uma segunda mãe, me prestando conselhos e auxílio nos assuntos religiosos. Sua preocupação é clara, embora ela não vá me acompanhar na viagem até Demacia. A decisão sobre a coroação do sucessor da rainha pode ter forte influência no assunto da discussão religiosa entre rjuriks e anuireans... Piltover tem atuado como um refúgio para rjuriks, tendo uma forte comunidade, mas é preciso garantir que a segurança e o respeito por esse povo e sua crença será mantido por quem assumir o trono. Batidas na porta.

— Lady Arya, sua carruagem está pronta. — a voz de Lux pode ser ouvida do corredor, juntamente com tons mais baixos repreendendo, aparentemente Lulu, por tentar entrar sem bater.

Abrindo um sorriso, abri a porta e cumprimentei as duas – confirmando a presença de Lulu, em vez de Annie. A garota certamente estaria esperando na entrada, assim como Elise estava esperando na cidade de Demacia. Elise atuava como informante, obtendo importantes informações sobre a situação no reino a meu serviço, bem como com um pé na corte. Os tempos atuais já tinham uma previsão de se tornarem sombrios. Os humanos poderiam complicar as coisas muito mais em suas ridículas disputas por poder... E por este mesmo motivo eu não podia me atrasar. Fechando a porta apenas suspirei e abrindo um sorriso, disse no mais melódico dos idiomas:

— Allons-y!




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