CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

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CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Dom Set 20, 2015 10:18 pm

Olá pessoas!
Cerca de 10 anos atrás, o adolescente Tio Lipe estava começando a investir em Animes pela internet, antes limitado ao que as emissoras de televisão nos jogava aleatoriamente. Eis que na busca por informações, músicas e dos OVAs da saga de Hades de Cavaleiros do Zodíaco, acabei me deparando com um site chamado Cosmo Mania. Lá eu fui agraciado com muitas das informações que eu buscava, mas a minha surpresa foi maior quando descobri a aba "Histórias Inéditas". Foi ai que eu mergulhei de cabeça na leitura de Fics, e duas delas me chamaram a atenção pela sua narrativa. Nessa época eu já tinha lido os livros do Gigantomaquia lançados pela Conrad, e somado a aquele universo novo e a ressurreição de CDZ no Brasil através da Saga G, resolvi eu mesmo escrever a minha história. E foi assim, marotamente, que surgiu "O Conto de uma Terra Renascida".

Neste tópico postarei para vocês, caros amigos, esta obra concluída a quase 10 anos, mas agora revisada por um cara mais maduro e, assim espero, letrado. Sempre que possível postarei aqui, por isso fiquem de olho. Serei muito grato se lerem e principalmente se me alertarem para os erros, pois pretendo compilar toda a história num ebook e liberar na net no futuro.

Até and Bye...

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Prólogo: A última profecia

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Dom Set 20, 2015 10:22 pm

“O Conto sobre a Última Batalha e o resplendor de uma nova Era…”.

Apenas o raiar do Sol pode anunciar o fim de uma Era. Nem mesmo o mais sábio poderia responder quando isto ocorreria. Os deuses podem prever relances no tempo, mas nunca serão capazes de conhecer toda a verdade por trás do que virá, fazendo suas escolhas para o destino em cima do seu julgamento, e deixando nas mãos dos mortais as ordens para segui-las. Mas sempre há no coração daqueles que acreditam a esperança no dia que nasce, pois o medo do desconhecido morre com a escuridão que se extingue.

Naquela época de conflitos antigos, os humanos lutavam para alcançar o que consideravam mais valioso, deixando-se guiar pela sua ganância. A soberania sobre outros povos era algo valorizado, pois se precaver contra uma invasão era realizar a sua própria. O medo do desconhecido sempre guiou o caminho costurado para a humanidade, e é esse medo que alimenta o destino.

Entretanto, no último dia de glória falou o último Oráculo. Sua morada abandonou os velhos costumes, mas na língua dos sábios ainda resta àquela última profecia. Ela dizia:

Um dia surgirá, não no horizonte e nem além mar,
Um homem por dois universos a se guiar.
Ele sentará ao lado da justiça e da coragem,
Entre as vontades mestras, divinas e sem igualdade.
Desafiará o caminho dos rios de sangue,
E deverá guiar um futuro de paz distante.
Apenas quando o fim desta Era for anunciado
E o Sacrifício Maior ter sido tomado
E este homem guiará a paz na Terra Renascida.

O que não sabiam os antigos sábios era que a profecia estava próxima de ser cumprida. O que eles também desconheciam eram os nomes citados e as figuras imponentes que participariam dessa história. Entretanto, o que até mesmo os deuses desconheciam era a fonte dessa profecia, pois o Oráculo de Delfos que a fez sempre foi iluminado pelo brilho solar de Apolo, mas o deus nunca profetizou algo assim. Isso assustou os deuses, que permaneceram sentados em seus tronos fazendo apenas o que poderiam fazer: continuaram as suas funções e aguardaram.

O tempo dos deuses do Olímpio estava acabando.

Esta história foi retirada dos Registros Históricos do Santuário de Atena. Nela constam detalhes sobre os “Diários de Orrin” e os “Ensinamentos de Áries” (também contendo os ensinamentos do ofício das armaduras. Atualmente o paradeiro deste documento é incerto). Todos os fatos serão apresentados de forma romanceada.

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Re: CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Dom Set 20, 2015 10:24 pm

1. O HOMEM QUE FALA COM AS ESTRELAS

ERA UMA BELA NOITE DE CÉU ABERTO.
Tudo estava perfeito para observar as estrelas, e um homem o fazia. Diante dele havia um penhasco, alto e íngreme o suficiente para que nenhum humano sobrevivesse a uma queda, mas aquele não era um ser comum. As estrelas brilhavam intensamente no céu, esperando ser observadas. Entretanto, uma constelação particular brilhava fracamente, entristecendo o observador.

– Por que, minha pura constelação guardiã? – falava como um confidente – Qual o seu medo em aparecer? Sinto-me mal em não poder vê-la brilhar esta noite. O que temes?

Perdido em seus devaneios, foi de súbito que percebeu algo diferente brilhar intensamente no céu.

– Marte…? O que faz em meu céu, planeta da guerra? O seu senhor não é bem vindo nesta terra sagrada. Ele traiu a confiança de sua irmã, nossa guardiã.

O planeta insistiu em brilhar, escarlate e imponente, dando um aviso ameaçador. E como isso era verdade. O observador girou o corpo, dando as costas para o planeta e fazendo o seu manto azul celeste girar consigo num único movimento. De cabeça baixa, sua mente questionava. O que faz Marte brilhar com tal intensidade? O homem, então, ampliou as suas capacidades oraculares, juntamente com os seus sentidos, fazendo sua mente abrir as portas além dos limites humanos. Em sua vidência, ele sentiu ódio, medo, caos e morte.

Retornando os seus sentidos ao mundo material, ele observou Marte uma última vez. O brilho do planeta se mantinha intimidante e sua aura emanava um mau presságio.

– O que Ares, senhor da guerra, quer conosco?

Sem resposta, o observador andou até a monumental morada esculpida em rocha que se erguia próxima ao penhasco. Quando chegou ao portal voltou a olhar para o brilho estranho do planeta. Marte significa guerra, sangue e morte. Será que este brilho anuncia que o dia da guerra entre Atenas e Esparta se aproxima? Caso seja, temos que ficar em alerta.

*   *   *

ALGUMAS CASAS ABAIXO, outro homem também observava o céu de sua varanda. Encostado num grande pilar ornamentado encontrava-se um homem jovem de longos cachos castanhos, belos olhos azul-mar e que trajava uma túnica branca. Aquele que respondia como o cavaleiro de Sagitário observava as estrelas, procurando algo.

– Sinto um grande mal se aproximando do Santuário. É algo que emana cólera e que brilha a sangue. Vermelho… E sombrio…


Última edição por Tio Lipe "Cavaleiros" em Ter Set 22, 2015 9:41 pm, editado 1 vez(es)

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Re: CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Dom Set 20, 2015 10:27 pm

2. O HOMEM QUE UIVA PARA LUA

EM SUA PATRULHA NOTURNA, o cavaleiro de bronze de Cão Menor, Orrin, andava tranquilamente próximo ao centro do Santuário, onde fica a Praça do Relógio Zodiacal. Acompanhando-o estava Geord, seu subordinado e aprendiz de cavaleiro. Orrin era um homem não muito alto e de ótima saúde. Era bonito, muito louro e olhos cor de jade. Seu parceiro, Geord, era um homem muito alto, mais forte que Orrin e tinha um jeito meio estabanado no andar, mas sendo um homem astuto e com uma bonita juba de cabelos negros e barba rala.

Ambos andavam distraídos em seus pensamentos. O único som audível era dos passos metálicos da armadura azul safira de Orrin, com detalhes em azul claro e baixo relevo, e o vento forte que fazia ali. O Santuário dormia profundamente.

– Mestre? – perguntou quebrando o silêncio.

– O que foi Geord? – a voz de Orrin soou tranquila, quase um sussurro.

– Estava pensando há algum tempo… Quando poderei ganhar a minha armadura?

– Paciência. O tempo é aliado daquele que segue o seu fluxo. Não tente adiantar as ampulhetas de Cronos.

– Não é isso, mestre. – falou um pouco embaraçado – É que já estou treinando há sete anos. Hoje tenho meus dezesseis e ainda não sou um cavaleiro. O senhor mesmo disse que havia se tornado um com quatorze anos.

– Sim, mas eu treinei desde os cinco anos de idade. Saiba que não sinto orgulho disso. Agora, aos meus vinte, acredito que deveria ter sido jovem por mais tempo. Acalme-se e se concentre em sua missão. É a primeira vez que recebe uma, e estou aqui para garantir que a cumpra com louvor. Lembre-se que isto faz parte do seu treinamento. – e, sentindo que deveria acalmar um pouco mais a juventude de seu aprendiz, acrescentou – Não deveria lhe contar, mas testes se aproximam.

E com aquilo dito, Geord se sentiu mais animado.

Continuaram a andar em silêncio. As ruas agora eram estreitas e mal cheirosas. Estavam no lado centro-noroeste do Santuário, onde se concentravam os estábulos e o raquítico cemitério mais ao norte, continuando a subida pelo território montanhoso do lugar. A noite ia bem e não havia nada com o que se preocupar.

Não que houvesse algo com o que se preocupar. Sendo a morada sagrada da deusa Atena, o Santuário era um exemplo para a sociedade grega, uma utopia almejada, sendo protegida pelos maiores heróis daquela era: os cavaleiros de Atena. Devido tamanha presença e auxiliado pelo seu isolamento místico do mundo comum, o Santuário sempre foi pacífico, onde os mais preocupantes casos pouco necessitavam da presença dos cavaleiros.

Entretanto, é sempre bom manter-se atento em tempos de como aqueles. As cidades-estados de Atenas e Esparta estavam com os ânimos exaltados devido divergências entre seus governantes, potencializado por antigas rixas. Tendo como patronos os deuses irmãos da guerra Atena e Ares, respectivamente, o anúncio de um conflito armado entre as cidades poderia representar o início de uma Guerra Santa, contrariando a vontade do senhor dos deuses, Zeus, que proibira séculos atrás a interferência divina nos assuntos mortais. Atena apoiara a decisão de seu divino pai, mas sendo uma deusa pacífica decidiu por enviar um de seus cavaleiros mais respeitados como mediador a fim de evitar o conflito, a contragosto de seu irmão que sempre ansiava pelo campo de batalha. O clima de tensão ainda não havia se extinguido.

De repente Orrin teve um mau pressentimento. Ele olhou para a esquerda e observou que estava em frente ao portão de ferro do cemitério. Algo não estava correto. Ele sentia. O seu cosmo o dizia isso. Rapidamente estendeu o braço e parou o discípulo que estava prosseguindo distraído em seus pensamentos.

– Não está totalmente concentrado, está? – perguntou Orrin.

– Não estava o quê? – respondeu confuso.

– Perguntei se não sentiu nada estranho.

– Não, não senti.

– Então se concentre mais, busque o cosmo.

Fazendo isso, Geord pôs-se a meditar. Ele mergulhou dentro de si, buscando a chama da sua existência, procurando em seu interior a força que permiti a um homem abrir fendas no solo com um soco e partir montanhas com um chute. Ele buscou o Cosmo, a infinitamente poderosa força interior presente em cada ser vivo e que, através da vontade do cavaleiro, pode ser usada para realizar atos sobre-humanos e até mesmo partir átomos!

Naquele momento, Geord estava focando a sincronização do seu cosmo com o ambiente a sua volta, tentando sentir qualquer alteração que não pertencesse àquele lugar. Como se tivesse vislumbrado algo importantíssimo, ele saiu de seu transe e observou Orrin. Sim, ele sentiu algo. Algo não, alguém, e com más pretensões. Seu cosmo era muito alto comparado a si, mas o seu mestre poderia lutar de igual para igual com esse ser que sentia, procurando nele um olhar de confirmação.

– Sim, é um cosmo sombrio e malicioso. – respondeu Orrin – Imagino que esteja aqui com más intenções. E a intensidade de seu cosmo corresponde ao de um cavaleiro de prata. Nunca pensei que alguém assim poderia ser tolo ao cúmulo de profanar o cemitério sagrado. É um crime grave. Vamos! Vamos tirá-lo de lá.

Sem qualquer esforço ou barulho, Orrin pulou o portão de ferro. Geord, entretanto, teve mais dificuldade ao fazê-lo. Maior e mais pesado, por pouco não escorregou ao tocar o chão. Os dois seguiram silenciosos pelo cemitério dos antigos guerreiros mortos. Ali era um lugar de repouso, não de luta, e ambos entendiam isso. Orrin desejava ansiosamente sair daquele lugar e deixar os túmulos em sua paz perpétua. Quando chegaram mais à frente, próximo a uma lápide com os dizeres “Minéias de Flecha” e de onde sentiram emanar o cosmo do profanador, encontraram ninguém. Não havia vestígio algum de pessoa que tivesse passado por lá. Estranho, pensou Orrin, continuo a sentir a presença de alguém aqui, mas não há nada além de covas e lápides.

Então, o cavaleiro sentiu subitamente uma enorme variação no Cosmo. O que antes estava estático variou bruscamente a sua ressonância e se tornou agressivo. Seu sexto sentido o alertou do perigo eminente e, com uma brusca reação, empurrou Geord para longe ao mesmo que se arremessava para o lado oposto. Antes mesmo de ambos caírem no chão, uma onda sonora quase imperceptível até mesmo para um cavaleiro treinado como Orrin colidiu contra o chão vazio onde estavam a menos de um segundo, explodindo com violência. Pedra e poeira voaram no céu.

Rapidamente, Orrin voltou sua visão para o céu estrelado e viu de relance o brilho maligno de Marte. Antes que pudesse pensar a respeito, ele viu um grande vulto negro se mover sob a Lua, voando. O vulto pousou sobre a lápide de Minéias, agarrando-a com garras afiadas em seus pés. Trajando uma armadura desconhecida, uma amazona de cabelos vermelhos sangue olhava diretamente nos olhos de Orrin. Era um olhar sensual e intimidante. Sua armadura colada ao corpo mostrava uma mulher alta e de bela aparência, mas de uma palidez anêmica.

– Eu sou Orrin de Cão Menor, cavaleiro de bronze de ordem superior e discípulo de Edmond de Touro. Identifique-se!

– Apenas aquela que carrega a beleza e a sensualidade das trevas, mas não tenho que dizer meu nome a cadáveres.

– Não me importa se não usa máscara, amazona. – de fato ela não a estava usando, algo obrigatório entre as que servem Atena – Sou o responsável pela guarda noturna do Santuário. Prepare-se invasora! Não terei misericórdia por sua alma.


Última edição por Tio Lipe "Cavaleiros" em Ter Set 22, 2015 9:42 pm, editado 1 vez(es)

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Re: CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Ter Set 22, 2015 9:39 pm

3. A MULHER COM O DOM DA CACOFONIA

SOMENTE O VENTO ERA AUDÍVEL.
Antes Orrin estava relaxado, mas agora seus sentidos estavam apurados. A amazona demonstrava o mesmo. O ambiente exalava tensão. Numa batalha entre cavaleiros, o primeiro passo pode ser o último. Aquele era o momento para analisar o adversário, focando cada mínimo movimento do outro.

Orrin então tomou uma atitude. Relaxando a postura, calma-mente retirou o manto que usava preso aos ombros. A mulher o acompanhou com o olhar. Sabia que aquele gesto não era agressivo, mas que viria de depois poderia ser.

– Eu gosto de saber com quem luto para que seu túmulo tenha um nome.

– Não será necessário. Isso posso lhe garantir, Cão Menor.

Quem é essa mulher? Não há uma armadura como essa entre as constelações de Atena. Lembra um morcego. A semelhança era notória. A mulher possuía uma armadura sombria que variava sua tonalidade entre tons azuis escuros, com detalhes em vermelho. Seu longo cabelo ruivo tinha uma tonalidade próxima ao dos olhos, vermelho-sangue, que lembravam muito o brilho maligno de Marte. Além disso, sua armadura tinha asas semelhantes às de morcegos, que podiam se prender aos braços da amazona quando desejasse ou ficar recuadas às suas costas, como estavam naquele momento.

Orrin então segurou o manto com o braço estendido.

– Façamos o seguinte: quando o manto tocar o chão, começamos. De acordo?

– Que seja. – respondeu indiferente.

A princípio, Orrin evitou o combate imediato. Queria estar pronto mentalmente. O vento estava esperando ansiosamente por aquele momento. A noite toda tentara inutilmente arrancar o manto do cavaleiro. Então o largou. O vento levou o manto para o alto, mas logo parou de soprar e o manto ficou preso em uma lápide alta. Com uma velocidade de cortar os ouvidos, ambos, Orrin e invasora, arremessaram-se um contra o outro.

O choque foi caótico. Uma grande onda sísmica se espalhou invisível ao redor deles. Todo o solo tremeu com o impacto dos dois. Orrin sentia uma forte dor no estômago. O joelho da amazona havia o acertado em cheio, evitando por pouco o coração. Numa fração de segundos, ambos se recuperam do primeiro ataque e investiram novamente. A velocidade de seus ataques era fenomenal, mal era possível acompanhar. Orrin, que estava temeroso, confirmou suas expectativas. Ela é poderosa, avaliou enquanto aplicava um gancho violento que arremessou sua adversária para os céus, deve ser uma amazona de bronze de alto escalão, superando até mesmo alguns cavaleiros de prata. Seus movimentos são graciosos como o voo de um pássaro, mas ainda há muita brutalidade em seus ataques, o que os torna fortes, mas lentos certas vezes e fáceis de serem percebidos.

A mulher ganhava cada vez mais altitude. Dez, quinze, vinte metros, até que com uma acrobacia se recuperou do gancho recebido e bateu as asas para manter altitude. Orrin estava sorrindo lá embaixo. Por que ele está sorrindo? Ele recebeu uns quinze golpes poderosos e parece que não sentiu nada, somente o primeiro. Sem problemas. Se meu adversário acha que pode me vencer com tanta facilidade, então vou lhe mostrar um pouco do meu talento musical, sorrindo em resposta.

Por um momento, Orrin não sabia o que a amazona estava fazendo, até sentir o poderoso fluxo de cosmo que havia sentido pouco antes do combate. A mulher recuou um pouco com o corpo, como se para tomar impulso, e realizou um mergulho mortal. Em queda livre, ela preparou suas garras e as estendeu para atacar o adversário. Pensando rápido, Orrin deu um grande salto para trás, fazendo a amazona destruir o chão ao pousar. Mas, antes dele ter ganhado altitude com ou da poeira ter levantado com o poderoso ataque, a mulher ergue o rosto em sua direção.

– SONIC EXPLOSION !

Nenhum som foi audível. Vendo somente os lábios da mulher mexendo, Orrin achou que ela havia reclamado de dor, mas logo percebeu o seu engano. Viajando na velocidade do som, uma quase invisível onda sonora azulada cruzou o ar partindo da amazona até atingir o cavaleiro. Todo o seu corpo ressoou com o ataque, e ele ouviu seus tímpanos zunirem a ponto de explodirem. Seus líquidos internos aqueceram-se de maneira extremamente rápida e então sentiu um impacto colossal, arremessando-o no chão.

Quase surdo, sentindo dor nas suas veias e em todo o corpo, Orrin caiu no chão de joelhos sem equilíbrio, com os olhos semi-abertos e o sangue saindo em pequenas quantidades de ouvidos, boca e nariz. Que ataque cruel. Ela usou um ataque sônico quase imperceptível. Um verdadeiro ataque surpresa. Creio que não foi totalmente invisível por conter uma grande quantidade de cosmo.

Satisfeita com o resultado, a invasora andou sensualmente em sua a Orrin, olhando-o com o canto dos olhos e passando a língua maliciosamente entre os lábios. As suas asas fecharam-se ao redor do corpo, formando uma capa protetora. Estava contentíssima. Ela é realmente poderosa e age como um morcego usando o som ao seu favor, com a diferença que enxerga perfeitamente bem, auxiliando os seus reflexos. Um morcego que enxerga normalmente e ainda pode usar seu sonar! Um inimigo a altura.

Orrin levantou, pondo-se na ofensiva e observou a amazona atentamente. Ela pareceu um pouco surpresa, como se esperasse que ele desistisse e recebesse de bom grado o golpe final. Ficando ainda mais satisfeita, aproximou-se mais cautelosa, mas mantendo seu andar sensual.

– Você é forte, cãozinho. Surpreendeu-me! Pensei que estaria surdo só de receber meu ataque, ou cego, mas ainda vejo que me observa muito bem e seus ouvidos estão zumbindo de maneira agradável.

– Foi você quem me surpreendeu. Seu cosmo pode ter o nível de uma amazona de bronze, mas não está longe dos cavaleiros de prata, assim como eu. Foi um belo ataque, mas agora que eu o conheço não poderá repeti-lo.

– É o que veremos, cavaleiro de Atena.

* * *

UM SER PROFANO SE APROXIMAVA CADA VEZ MAIS DO PORTÃO SAGRADO DO SANTUÁRIO. Um soldado de prontidão observou a sombra que se movia ameaçadoramente. Erguendo a sua lança, ele esperou pela aproximação do homem coberto por um sobretudo marrom escuro, parando próximo ao soldado.

– Alto lá! – exclamou o guardião do Portão – Quem és tu que se aproxima do Santuário de Atena?

– Eu? – o homem ergueu um pouco mais o rosto. Dois brilhos avermelhados e malignos eram visíveis daquele ângulo. – Eu sou um mensageiro de outra península. Sou um ser que vem até aqui com uma missão: destruir!

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Re: CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Ter Set 22, 2015 9:46 pm

4. A MULHER QUE COMANDA O SOM

ELE OBSERVAVA A NOITE DE SUA VARANDA.
Estava frio. O vento combinado com o clima de outono trazia a tona um sentimento melancólico ao Santuário. As árvores perdendo as folhagens, as rosas fechadas e as pessoas evitando sair de suas casas durante a noite.

Alguns minutos antes, Ícaros observava o céu estrelado e sem nuvens. Ele tinha uma estatura mediana, com olhos azul-mar e cabelo castanho muito belo, longo e levemente ondulado. Era muito forte, ainda que magro. Com se tratava de um jovem nos seus vinte e poucos anos, ainda poderia ficar mais robusto, porém gostava de como estava. Com o seu olhar de águia, Ícaros observava tudo com muita atenção, ao mesmo em que sempre se deixava distrair com facilidade. Meio contraditório, mas um fato.

Distraindo-se por um momento da contemplação das estrelas, ele sentiu o movimento furtivo de um cosmo diferente, invasor. Não se tratava de um inimigo a altura, mas era ameaçador. Como não podia abandonar a sua morada sem a devida permissão superior ou aviso prévio, pediu que Delia, uma de suas encarregadas, fosse a casa do Grande Mestre do Santuário e lhe entregasse uma mensagem. Como a sua Casa é bastante próxima do destino, não demoraria a receber a resposta, mesmo sabendo que não estaria no local quando Delia retornasse.

Antes que pudesse agir, porém, ele sentiu um cosmo aliado chegando ao cemitério, onde se encontrava o invasor. Observando de sua varanda, viu uma pequena nuvem de poeira no ar e deduziu que um combate havia começado. Então se acalmou. Meditando, ele buscou o fluxo de cosmo furioso que um combate libera usando o seu próprio. Acompanhando a disputa, ficou impressionado com a força do duelo, mesmo que de baixo nível. Tratava-se de ótimos cavaleiros de bronze, seus cosmos eram semelhantes ou superiores aos de cavaleiros de prata iniciantes.

Mas algo estava errado. Um segundo cosmo invasor chegou ao Santuário vindo pelo Portão Sagrado. Seu nível era muito alto, igualando-se aos dos cavaleiros de ouro, os mais poderosos dentre os cavaleiros de Atena. Foi quando resolveu agir antes houvesse uma tragédia. Deixou o outro combate nas mãos de seu aliado e partiu imediatamente, cofiando plenamente que a força de Cão Menor sobrepujaria a do seu adversário.

* * *

– NÃO ACREDITA? – perguntou Orrin – Pois muito bem, veremos quem de nós sairá vitorioso.

A amazona não estava mais concentrada na luta como antes. Há pouco sentiu a aproximação de um cosmo aliado no Santuário. Meu mestre já está aqui? Está adiantado. Será que não confia em mim para realizar esta missão? Não... Ele confia em mim e por isso não o desapontarei. Vendo que seu tempo era curto, ela acelerou o passo em direção ao adversário. Sentido a aproximação do perigo, Orrin pôs-se completamente de pé e se preparou. Sabia o que fazer, começando então a concentrar o seu cosmo ao máximo para aplicar um único golpe preciso e que obedecesse a sua vontade.

A amazona estava preste a correr quando, inesperadamente, deu um largo salto batendo as asas com ferocidade, impulsionando-a velozmente na direção de sua presa. Com um movimento rápido, Orrin conseguiu desviar saltando da investida violenta que destruiu lápides e túmulos no caminho. Como ela esperava, Orrin voava cada vez mais alto devido a sua esquiva, sem chance de desviar de seu verdadeiro ataque.

– SONIC EXPLOSION! – gritou a mulher.

Mais uma vez nada se ouviu. Apenas a boca da mulher mexia, pronunciando as palavras e liberando a onda sônica. Entretanto, Orrin esperava aquele momento. Com o seu cosmo concentrado, o cavaleiro girou o corpo no ar. Pondo-se em posição de batalha e finalmente terminando de subir, preparou-se para despejar todo o seu poder num único ataque.

– SANCTIFIED HOWL ! – gritou o cavaleiro.

Com o ataque da amazona se aproximando cada vez mais, o ataque de Orrin o acertou em cheio. Passando por entre o ataque inimigo, a carga explosiva gerada pelo soco em alta velocidade do cavaleiro dispersou o ataque ofensor por completo e acertou quase completamente a amazona. A mulher morcego sofreu a explosão, mas suas asas fecharam-se sobre si milésimos de segundo antes do impacto. Mesmo protegida, ela foi arremessada para trás em alta velocidade e só parou quando bateu de costas em uma grande lápide, destruindo-a por completo.

Orrin pousou no chão confiante. Seu ataque é bom, mas sua brutalidade sacrifica bastante a velocidade. Então, é só aplicar um golpe mais rápido, acertando o centro da ampliação do seu golpe, e toda a força de seu ataque é absorvida.

– Eu disse que venceria seu ataque. – gritou para ser ouvido pela adversária a metros de distância.

– É, eu senti a pressão do seu poder, mas não foi tão forte assim. – respondeu levantando-se e limpando a poeira da armadura como se nada tivesse acontecido.

– Como? Você foi arremessada com todo o meu poder…

– Mas minhas asas não servem apenas para voar, meu caro.

Incrédulo, Orrin percebeu que ela tinha razão. Quando as asas voltaram a se fechar sobre a amazona, ele notou que elas estavam escurecidas, pois receberam o ataque por completo. Mais que isso, era como se somente o seu ataque tivesse a acertado. Ela não demonstrava dores como as que ele havia sentido antes. Nem mesmo a armadura ajudaria a resistir a essas ondas ressonantes, muito pelo contrário, catalisaria o efeito, pois o metal é sujeito a ampliar tais ondas.

De repente, Orrin cedeu e caiu de joelhos. Sentiu-se perdendo parte da consciência e suas veias estavam queimando.

– O que… é isso? – perguntou muito confuso e gemendo.

– É o efeito do meu ataque com velocidade dobrada. Obrigado por intensificá-lo para mim. – falou despreocupada, como se fosse o fato mais natural do mundo.

– Como…! – uma grande quantidade de sangue saiu por sua boca antes que pudesse terminar de falar.

– É simples. Está vendo esta armadura? Ela é capaz de refletir todo ataque sonoro que eu receber. É uma defesa natural. Quando você fez a burrice de voltar o meu ataque contra mim e fundi-lo ao seu, eu recebi tudo com velocidade dobrada. Seu ataque foi bom, mas minha armadura refletiu o meu contra você novamente, numa velocidade muito acima a do som. Você nem percebeu o ataque o afetando, só agora. Estou surpresa em ver que ainda está vivo. É realmente muito resistente, cãozinho. – desdenhou.

Orrin estava longe de aceitar aquilo tudo. Essa mulher é um monstro! Não posso derrotá-la nesse estado. Não agora. Preciso de ajuda ou vou acompanhar meus aliados aqui enterrados.

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Re: CDZ - O Conto de uma Terra Renascida

Mensagem por Tio Lipe "Cavaleiros" em Qui Set 24, 2015 7:45 pm

5. O MENSAGEIRO DA DESTRUIÇÃO

A SITUAÇÃO ESTAVA CRÍTICA.
Orrin não sabia mais o que fazer. Seu corpo estava doendo e os ferimentos aumentaram o seu fluxo sanguíneo. Até seus olhos lacrimejavam sangue. Limpando como pôde o rosto ensanguentado, levantou-se com dificuldade e tentou ficar em posição de combate. Estava difícil enxergar agora. Os seus sentidos foram terrivelmente afetados e seu equilíbrio vacilava. Sua vida estava por um fio, e a amazona caminhava em sua direção sensualmente com as asas a protegendo.

– Mestre!

Surpreso, Orrin olhou para o lado e avistou Geord pronto para o combate. Sem armadura, ele não teria a menor chance de revidar o que fosse. Mesmo sendo poderoso com o cosmo, o corpo dos cavaleiros continua sendo tão frágil quanto o de qualquer humano, cabendo à armadura a função de protegê-los. Sem uma armadura, Geord morreria ao primeiro ataque.

– Geord, não! Vá embora, agora! Essa mulher é diferente dos outros cavaleiros de bronze. É mais poderosa do que eu imaginava. Estou pagando pelo meu péssimo julgamento.

– Mas mestre, o senhor precisa…

– Eu sei, por isso vá e peça reforço. Não podemos permitir que invasores prossigam profanando o Santuário. Vá!

– Certo mestre.

Orrin sabia que a amazona não deixaria isso ocorrer. Pondo-se completamente de pé, ainda que a muito custo, posicionou-se entre ela e Geord, que se afastava sem olhar para trás. Entretanto, para a surpresa do cavaleiro, ela parou de andar e nada fez até o aprendiz se afastar. Não tentou atacá-lo. O que será que essa mulher quer afinal? Ela invade o santuário por um local pouco protegido, mas não avança quando tem a oportunidade. Queria apenas lutar com alguém?

A amazona permanecia tranquila, vendo o jovem aprendiz se afastar e com as asas envoltas ao corpo. Minha missão está quase completa. Poderei partir sem ter que matar ninguém, por enquanto. A guerra apenas está começando. Ela sorriu maliciosamente, quase insanamente.

*     *     *

COM UM PODER DEVASTADOR, o homem misterioso destruiu os Portões Sagrados do Santuário e todos os soldados que estavam de vigia. Não matara ninguém até então, mas viu que a sua missão estava preste a ser cumprida com sucesso. Sua encarregada havia desviado a atenção dos cavaleiros pelo cosmo e ele poderia agir livremente agora, ainda que tivesse que se apressar.

Um batalhão de soldados mal preparados se apressou para o portão. Estavam sob o ataque de apenas um inimigo, mas poderoso o bastante para derrubar os portões. Com as lanças em punho, vinte homens se posicionaram a frente do inimigo, observando-o alertas.

– Vermes! – falou o invasor – Vocês acham que as suas lanças podem me deter? Irei puni-los por acharem dignos de me enfrentar.

Concentrando apenas uma fração de seu cosmo, o homem encapuzado abaixou-se lentamente, flexionando os joelhos. Seu manto sacudia violentamente quanto mais se concentrava. O seu corpo começou a brilhar numa tonalidade azulada para o ébano. Era um cosmo terrível.

– FOBOS HURRICANE ! – amaldiçoou a todos.

Uma fenda negra surgiu no espaço. Como uma ventania que tragava a todos para uma dimensão de trevas, o ataque sombrio carregou mais que soldados. As estruturas próximas começaram a perder sua estabilidade rapidamente e um terrível furacão de ébano surgiu no local, derrotando todos de uma única vez. Os soldados caíram inconscientes no chão, fazendo o invasor sorrir sob o capuz.

Vinda do céu, o lampejo inesperado de uma flecha dourada quase o acertou. Surpreso, o invasor deu um largo salto para trás, pousando delicadamente sobre os portões derrubados. Observou o brilho de esperança que cobriu o Santuário, sob a forma de lorde Ícaros de Sagitário, um dos doze cavaleiros de ouro de Atena, seus maiores campeões. O lorde dourado desceu do céu por onde voava com suas longas asas celestiais, caindo metros antes do homem. Sua armadura era a visão de um anjo. Olhou para o invasor e sorriu.

– Somente os covardes escondem seus rostos para a morte e eu sou a sua. Identifique-se invasor!

– No momento, cavaleiro dourado, não importa quem eu sou, mas o que vim fazer aqui. Deixo esta mensagem para ti – fazendo uma reverência para o portão tombado onde estava se equilibrando –, com a cortesia do Grande Senhor Ares.

– O quê?

O invasor liberou novamente sua energia de ébano, mas dessa vez não atacou ninguém. Ventos negros muito fortes circundaram o homem encapuzado, fazendo com que Ícaros tivesse que proteger o rosto para não ficar cego com a poeira que foi levantada. Os ventos cobriram o homem totalmente e o fizeram desaparecer, assim como o seu cosmo, deixando o cavaleiro de ouro surpreso. Então, Ícaros notou algo. Olhando para o portão tombado, ele pôde observar que havia uma mensagem entalhada a fogo.

- Mas, o que é isso?

*     *     *

ESSE É O SINAL. Abrindo as asas ameaçadoramente, Orrin pensou que a amazona fosse atacá-lo. Entretanto, ela apenas alçou voo e ficou parada no ar, observando-o.

– Preciso partir, cãozinho. Não te matarei agora, mas fique avisado: na próxima vez que nos encontrarmos será a última. Não morra até lá – fez um gesto como se arremesse um beijo para o cavaleiro e desapareceu na noite.

– Não, espere! – gritou para noite.

Orrin estava sozinho no cemitério. Sentiu que aquela não seria a última vez que se encontrariam. A paz que o cercava finalmente o afetou, fazendo-o cair de joelhos devido o peso de seus ferimentos. Entorpecido pela dor, lembrou-se dos lábios puros de sua amada e sua voz suave. Então cantarolou em sua mente uma velha canção, perdendo lentamente a consciência.

Anjo meu que oras por mim, não me deixai.
Preciso rever aquele sorriso uma vez mais.


E caiu desacordado.

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