Bleach Fanfiction - Flavor of Life

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Bleach Fanfiction - Flavor of Life

Mensagem por Leishmaniose em Seg Fev 14, 2011 2:35 am

Olá,

Eu estava pretendendo escrever algum conto ouvindo a Flavor of Life da Utada Hikaru, descrevendo a sensação que sentia ao ouvir essa música. Mas não sabia sobre quem ou em que cenário escrever, já que todos meus projetos estão amarrados num enredo e Omakes e Fillers não conseguem ainda passar pela minha mente pra quebrar o ritmo.

Então, conversando com a Kaw, me lembrei de uma proposta que ela tinha me feito tempos atrás. De que eu deveria fazer um conto no universo de Bleach. Bem, como já estava devendo essa, resolvi unir o útil ao agradável e saiu esse conto de três páginas que segue abaixo. Ele se passa no universo de Bleach, com umas pinceladas de Trevas.

Um pouco mais sobre Bleach: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bleach_%28mang%C3%A1%29 E, quem não entender alguma coisa, é só perguntar que eu respondo com todo prazer. Smile

Bonanças.

Atenciosamente,
Leishmaniose

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Flavor of Life

Mensagem por Leishmaniose em Seg Fev 14, 2011 2:36 am


O vento percorria sua face enquanto ele deslocava-se o mais rápido que podia, naquele tapete branco. No céu, nuvens levemente cinzentas soltavam pequenos flocos de neve que, levados pelo vento, cobriam o chão daquele bosque como as flores de cerejeira no outono o cobririam. Ele passava pela neve, com um sorriso no rosto, realizando movimentos acrobáticos para desviar-se dos flocos de neve. Mas sua técnica de velocidade não funcionava tão bem em um gigai. Gigai era o corpo físico criado especialmente para que sua alma pudesse interagir com o mundo humano enquanto ele lá estivesse. Era idêntico à sua aparência espiritual, mas possuía limitações, principalmente em relação às suas habilidades espirituais. Apesar disso, ele gargalhava como uma criança enquanto girava acrobaticamente entre os flocos, sem diminuir a velocidade e sem parar de correr. Um pouco distante, colina abaixo, estava uma cidade humana. A cidade que aprendera a amar como se fosse a própria Seiretei, o lugar onde habitava após tornar-se um shinigami. Ofegante, abrindo um grande sorriso, ele saltou contra uma árvore, utilizando-a para uma propulsão em horizontal que o arremessou em direção a um grande boneco de neve. Seu riso ecoou por aquele bosque.

— Tu és estranho.

O jovem deu uma olhada pra cima. Em uma das árvores, estava uma garota utilizando um quimono preto e portando uma espada em sua cintura. Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo de cavalo e seus olhos verdes o fitavam, sem uma expressão precisa, mas semelhante ao olhar de uma pessoa pra sua mesa de trabalho em dia de segunda. A neve passava por ela, revelando que não estava em um gigai, estava mesmo em sua forma espiritual. Seu corpo estava num padrão vibratório diferente da Terra, por isso ela era como um fantasma naquele lugar. Era uma shinigami, como ele. Um deus da morte, responsável pelo envio de almas à Sociedade Espiritual e pela proteção do mundo humano contra os odiados Hollows, espectros que devoravam almas e atacavam pessoas. Abrindo um sorriso largo, ele saiu do que restara do boneco, retirando o excesso de neve que cobrira sua roupa.

— Por quê?

— Não me é compreensível a razão de tanta exaltação de felicidade.

— ♪ The flavor of life... ♫ — cantarolou ele, como resposta. Percebendo o olhar de estranheza da garota, ele explicou. — O sabor da vida. É o trecho de uma música da Utada Hikaru, uma cantora daqui da Terra.

— Desconheço.

— O quê?! Você está na Terra há mais tempo que eu! Isso é quase um pecado, Fuyu-san!

— Estás imerso demais com as peculiaridades desse plano, Atsui-kun. — respondeu a garota balançando a cabeça negativamente. — Complicar-te-ás.

Atsui entendeu imediatamente a que ela se referia. Embora fossem um tanto quanto raros, havia casos de shinigamis que abandonaram a Sociedade Espiritual para ficarem na Terra. Por isso, a maioria dos shinigamis agia de forma um tanto quanto distante quando recebiam uma missão nesse plano. Mas, ele não conseguia entender como podiam ser indiferentes. Havia tantas maravilhas ali... Está certo que a gigai, o corpo físico que utilizavam pra interagir com o que não fosse espiritual, limitava muito de suas habilidades, mas permitiam que pudessem explorar novas sensações. Como tomar sorvete num dia quente ou chocolate quente num dia frio. Permitiam sentir a vida ao seu redor, tão intensamente quanto no plano superior. Ele entendia que havia a responsabilidade e obrigação. Um shinigami que recebia a missão de vir à Terra deveria proteger a área especificada, livrando-a de Hollows e enviando almas desencarnadas para o mundo superior. Mas como proteger, verdadeiramente, sem laços? A garota saltou da árvore, encarando-o. Seus pés não formaram pegadas.

— Eu não consigo acreditar que alguém possa realmente proteger algo, sem que ponha seu coração nisso. — o garoto deu um suspiro, olhando pra cidade. — E a única forma de pôr seu coração, é criando laços. Amando. Lutamos de corpo e alma pelo que nos é caro.

A neve caia em cima do cabelo do jovem. A garota nada dizia, apenas o observava, com uma sobrancelha levantada. Clara e visivelmente ela discordava, ele sabia disso. Mas se limitou apenas a observar:

— Pertenceis ao Décimo Terceiro Esquadrão?

Ele deu um sorriso maroto, arremessando uma bola de neve na garota. O Esquadrão treze era liderado pelo Capitão Ukitake, que possuía uma filosofia de que as pessoas lutavam por dois motivos: Pelo seu orgulho ou para proteger. A bola passou por ela, que acompanhou a trajetória do projétil que atingira uma árvore. Ao voltar o olhar, mal percebeu o gigai de Atsui caindo e um segundo, de quimono preto, saltando sobre ela. Os dois se embolaram na neve, enquanto o jovem desfazia o rabo de cavalo de Fuyu, fazendo seus cabelos flutuarem soltos e, agora, assanhados pelo garoto. Agindo rapidamente, ela realizou os movimentos certos. Ele conseguira seu intento, mas para isso fora necessário baixar a defesa e atacar em carga. Após alguns segundos, ela estava sentada, em cima dele, imobilizando-o e refazendo o seu rabo de cavalo. Ele sorria marotamente, sem tentar se libertar.

— Tu és estranho.

— Eu gosto do meu esquadrão, viu? Você deveria seguir o exemplo da vice-capitã, a senhorita Rangiku.

— Não aprecio saquê.

— Não falo disso. Em aprender a dar mais valor aos seus momentos aqui.

— Tu estimas a esse lugar em um excesso desnecessário, Atsui-kun. — ela levantou-se, soltando-o. — Principalmente em situações tão críticas.

O jovem entrara novamente no seu gigai, como um fantasma possuindo um corpo. Após piscar três vezes, fitou a cidade, com um ar mais sério. Ainda assim não conseguia deixar de sentir prazer ao olhar pra cidade com a neve caindo lentamente. Uma imagem digna de um cartão postal.

— Eu sei que teremos de partir amanhã, Fuyu-san. Esse apreço que sinto não me entristece ao pensar nisso, ao contrário, sinto ainda mais vontade de partir para auxiliar a deter os planos do traidor. — ele observava, com o punho fechado. Um Capitão dos treze esquadrões de shinigamis havia traído a Sociedade Espiritual se aliando aos Hollows em sua dimensão, o Hueco Mundo. Agora, os rumores eram iminentes, o conflito teria início na cidade de Karakura que Aizen planejava sacrificar para que pudesse alcançar o lar do Rei da Sociedade Espiritual. — Se ele tiver sucesso, não poderei mais vê-las florescer.

Atsui apontou para as cerejeiras daquele bosque, que floresciam na primavera e no outono cobriam o chão com suas pétalas rosas. A garota observou as cerejeiras sem folhas e flores devido ao inverno. Não conseguia entender o fascínio que seu colega do décimo esquadrão tinha pelo plano da Terra, mas respeitava aquela convicção dele. Ela não precisava daquele subterfúgio externo pra lutar, mas se ele o precisava, não o privaria disso. Ainda assim, aquele fervor era peculiar demais, mesmo pros padrões que ela conhecia. Limitou-se a caminhar em direção à cidade, apenas concluindo a conversa:

— Tu és estranho.

— ♪ The flavor of life... ♫ — cantarolou o garoto com um sorriso largo, enquanto caminhava ao lado de Fuyu, descendo a colina coberta de neve.



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